quinta-feira, 25 de março de 2010

Fragmento incompleto III

Cadê minha vontade?
Onde foi parar aquela vontade de escrever?
Eu só sei que leio. Leio e mais nada, às vezes detesto.
Em geral, eu pensava antes, até os 17 anos, que literatura partia de literatura. E nisso, lá se foi minha vida, de tanta morbidez, terrivelmente...
Aos 18, senti uma sede de vida insaciável, não conseguia ler com tanta atenção e o tédio me vinha facilmente. Tentei agarrar a vida, sofrer por amor, apaixonar-me, mesas de bar, álcool, inconsciência consciente feliz infeliz - e outras contradições. E me sentia, no fim das contas, melhor do que nunca, invencível, experimentando o que é viver e voltar para casa pela manhã, depois de um longo tempo com amigos em bares. BARES. Antes prematuros, os botecos de minha vida passaram a falar mais alto, resfolegar em meio aos risos de uma multidão incandescente e ávida por esquecimento - ou era só eu? Eis que os bares aqui, agora, fazem parte de mim. Eu sou um boteco, mas um daqueles solitários, de velhos beberrões decadentes, sem mais nada para fazer, abandonados. E ao mesmo tempo eu sou a vontade de ser um bar grande, uma festa de largo a tomar espaço e a abraçar multidões - e toda aquela alegria. Mas é como eu ouço de muita gente: nunca vou aplacar esse sentimento que é minha essência e, sei lá, o meu porquê. Determina a minha meta e a minha vontade de deixar a morbidez em casa, o mormaço longe do dia de sol, sol, sol... E sinto a falta, ainda. A tua. Não que você me completasse, não que... nada. Eu só me sinto só e profundamente só e desolado, sem razão exceto o me sentir só e isso, honestamente, não serve. Pode até me bastar, como talvez me baste. Como talvez eu pudesse dizer que, ora, eu sou feliz? O que me falta, afinal? Tenho esse vazio, carrego-o dentro de mim, como um balão, mas o ar me falta, eu perco a cabeça e posso chorar absurdamente, mas dessa vez eu não choro... Dessa vez eu tenho sido forte e, afinal, posso crer que só o sou por ser e sempre ter sido só. A minha solidão é uma casca, protege, mas arde.
Metáforas infelizes, eu só quero agir como um qualquer. Um sujeito normal, entenda-me, que não sofre com pelo menos esse fogo, dentre tantos outros fogos...

Um comentário:

maria e as baleias disse...

apaguei não, salvei como rascunho :)
ainda não li seu post, quero fazê-lo com tempo e atenção que ele merece :*