segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A-deu-são

Escute, meu chapa, um poeta não se faz com versos
É o risco
É estar sempre a perigo, sem medo
É inventar o perigo
E estar sempre recriando dificuldades cada vez maiores
é destruir a linguagem, explodir com ela
nada no bolso e nas mãos
e sabendo
é perigoso
divino, maravilhoso
poetar é simples:
"como dois e dois são quatro
sei que a vida vale à pena"
etc etc etc
Difícil é não correr com os versos debaixo do braço
Difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa
Difícil, se você não é poeta,
é não negar sua poesia
O que, pensando bem,
não é nada
se você está sempre pronto
a temer tudo
menos o ridículo
de recitar versinhos sorridentes
E o que é pior:
sair por aí como um alegre e sorridente mestre de cerimônias
herdeiro da poesia
dos que levaram a coisa até o fim
e continuam levando, graças a deus
Mas fique sabendo, olhe aqui
Quem não arrisca não pode berrar
Uma citação:
"Leve um homem e um boi a um matadouro
O que berrar mais na hora do perigo
É o homem, nem que seja o boi"
A-Deu-São
Adeusão.

(por Torquato Neto).

sábado, 29 de agosto de 2009

I am trying to break you heart

Na cor dos seus olhos eu vejo uma espécie de salvação, como uma calma pós-chuva torrencial. Lado avesso do circuito infinito, massacre dos meus sentimentos, eu te vejo perto e sei que você não vai me ver. Você está tão perto e parece estar acima, na segurança de quem sabe bem o que e quem quer da vida – o que, posso afirmar, não me inclui.

Pelo menos agora não. E certo de que seus olhos provocantes não me dizem nenhuma verdade, me entrego aos teus desalinhos, aos seus mistérios e vias tortuosas. A seu prazer de viver. Sinto o hálito doce misturado com álcool e então fecho meus olhos. Um dia, ah, um dia, há de ser minha. De olhos fechados, é claro.

sábado, 15 de agosto de 2009

Eu costumava dizer que escrevia porque precisava. Como uma necessidade de me expressar, passar a angústia para o papel, como disse há uns posts atrás.
Fato é que - só agora percebo - eu não escrevo porque preciso, mas porque quero. Eu quero transbordar algo que não existe. É esse o meu principal contato com a experiência humana, é a minha forma de sentir, e não pensar que o frio da sala de cinema é o mesmo frio que passa em minhas veias. Escrevo porque quero sentir que há vida pulsando, que eu tenho alma.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Tentativa

Ser
desmorecer
esmore
ser
pade
ser
adoe
ser
até da vida
a última gota
desapare
ser

Pouca vergonha

eu rimo
vida
com ferida
e repito
aos quatro cantos
que a minha cura
é você

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Só porque eu não tô normal

Te amei mais do que pude
Mais do que devia
E como honraria
Me deste mil elogios

Inteligente, sou seu tipo
Faço das tripas coração
Só para ser seu sorriso

Costumava ouvir
o que você ouve
acompanhar seus passos
ver-me seu em cada pedaço
iludir-me em vão

Hoje não há mais nada
sou sombra desse amor
voo de flor em flor
de beleza em beleza
de bebida em clareza
de dor em alegria
viva!

P.S.: não é lá um bom recomeço, (pelo contrário, é trash!) mas cá estou eu. Na verdade, o melhor do poema (agora que eu editei) são os riscos. Como é que se diz que uma coisa tá tosca de propósito? É, pronto, tá dito.