segunda-feira, 23 de março de 2009

Enfadonho

não use o poema
para fugir de si
se quer escrever,
ponha o que sentir

não me venha
com poema
sobre chocolate
livro, cinema,

o que interessa é saber
que do outro lado de quem lê
pulsa alguma coisa
que não seja um pão mofado

o resto, meus caros,
é (en)fado(nho).

quarta-feira, 18 de março de 2009

O coração desenhado, com essa concavidade, não me deixa outra alternativa senão rabiscar um fluxo vermelho que dali esguicha e se espalha tomando do céu espaço e do mundo o total.

terça-feira, 17 de março de 2009

Fraude dos versinhos

Do canto
do meu centro
o poema me olha
de dentro
e me escreve

segunda-feira, 16 de março de 2009

As canções de amor


Parei com as canções de amor. Canções de amor são como flores de plástico. Os amores vem e vão, mas elas continuam lá. Emboloram, às vezes, mas permanecem em cima dos móveis, nos cantos da casa, como se fossem vivas.

Chega um dia que você tem que jogar as velhas flores de plástico fora. Elas não são mais bonitas, e se ainda forem, não há mais nada de belo em você.

domingo, 15 de março de 2009

...

É só começarem as aulas e minha criatividade desaparece.

E nada mais de versos. Nem um continho, nem vontade de escrever sobre qualquer coisa que não sirva para nada, nem pra mim.

Vontade de criar outro blog.

sábado, 14 de março de 2009

Preciso de uma cerveja, ponto

Uma cerveja, uma água ardente com limão, eu vou (?) lá na gafieira...

sábado, 7 de março de 2009

A gorda.

Não viver numa bolha dá trabalho demais. É ter que ficar informado que. Tentar me relacionar com gente que. Me relacionar. Ser uma ilha. Deixa a ilha ir, "dentro de uma bolha que flutua por aí". E ainda assim, não adianta muito - acho tudo (é) ruim.

E então me vem à cabeça a diferença grande (não tênue, acreditem em mim) entre achar tudo ruim e saber que tudo está ruim. Porque quando se sabe que tudo é ruim, você consegue conviver com isto sem grandes incômodos. Sem aquela sensação de que. Aquela que. E suas tripas se engalfinhando porque. Aquela velha idéia de que não, você é, sim, um merda.

E quando se acha tudo ruim, lá vem o peso. Uma gorda pula do décimo andar em cima de você e você até que podia, mas não consegue escapar dela.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O mesmo tipo de pessoa que confunde sonhos (aquilo que você tem durante o sono) com sonhos (o que você estabelece como meta de sua vida - meio ridículo chamar de "sonho", não?) é o que acha que economia (a ciência social e blá-blá-blá) e economia (o que se faz em casa, com a comida ou itens de higiene pessoal, ou com sua conta bancária) são a mesma coisa.

Veja Paulo Coelho, por exemplo. Em "O Alquimista", o pastor de ovelhas, personagem principal da trama, sonha (durante a noite) que encontrou um tesouro. Então, ele vai a uma decifradora de sonhos (ou sei lá como Coelhinho chama) que diz a ele que é seu destino. Tá, até aí tudo bem. Mas Polô diz bem claramente que esse sonho passa a ser sonho, o segundo significado. O que não faz sentido nenhum, né? Se eu sonhasse que eu era um astronauta eu não ia ser um astronauta, ia?

Outro caso é a economia. No Bahia Meio-Dia. Sim. Patrícia Nobre e Jony (?) fazem uma interessante chamada: crianças estão aprendendo sobre economia! Ok, ninguém pensou que elas estivessem aprendendo um pouquinho de como o mundo lôco funciona - e ainda bem que não estavam. Mas mas... eles falaram como se fosse! Juro. Então, aparece a reportagem: os meninos aprendiam a fazer sua própria conta, onde colocariam dez reais por mês. Se eu fosse eles, usava os dez reais, porque pense, um dia eles usarão. Chegarão na adolescência, pura malemolência, libido de vampiro (assim me faz pensar True Blood, seriezinha simpática que tenho assistido) e pá, gastam com... coisas. Enfim, eles bem que poderiam aprender a história do dinheiro ou coisas assim, mas ah, se me lembro bem, quando criança eu achava tudo isso muito chato. Assim é bom para eles, que economizam pra uns anos depois. Quem quer saber da outra economia?