segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"Não escreva sobre o amor;

escreva sobre o nada",
ela me disse

mas eu me pergunto
e quando o nada acaba
não sobra mais nada
para escrever?

escrevo o que sinto
quase nunca minto
escrevo sobre tudo
mas nada sobre o mundo

qualquer verso sou eu
e se eu for nada
o nada ali escreveu:
o que ama
o que sente
o que pensa

o nada não aprende a ser tudo
mas o tudo pode ser nada
nos olhos de quem não vê o mundo

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Verdade seja dita:
a carta que é escrita
dói menos
que a que na cabeça grita

domingo, 11 de janeiro de 2009

Sabe aquele tipo que todo mundo odeia - ok, pelo menos eu detesto -, o blogueiro que acha que é poeta, e essas coisas todas? Porra, me tornei isto. Merda.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Como acabei não sendo um rockstar.

Quando eu era pequeno havia um dilema recorrente na minha cabeça. As pessoas me perguntavam o que eu queria ser quando eu crescesse e, honestamente, isso não é uma coisa com que crianças se ocupam muito. Pelo menos crianças do meu tipo, que só brincavam com tudo e quebravam tudo que aparecia o tempo inteiro. Um dia, quando eu era primeira série, a pergunta começou a me incomodar. Pensei em tudo que eu via naquela época. Nos programas de televisão e séries no estilo Plantão Médico. Primeiro eu concluí que queria ser médico, sei lá por quê. Eu mesmo não admirava tudo aquilo, só achava o seriado legal e nem era por causa das cirurgias, era só pela tensão. Meus pais e tios diziam enternecidos que era uma profissão bonita e eu ficava feliz porque dava uma resposta que até hoje (e sabe deus até quando mais) é satisfatória.

Um tempo depois eu fiquei na dúvida. Na época eu ouvia, com devoção, qualquer porcaria que fizesse sucesso - isso inclui Morango do Nordeste, de Lairton e Seus Teclados, que me lembra a estadia nos xalés de Valença, os patins no pátio do lugar, a piscina, ah, as batatas da perna comidas, da música, marcaram minha infância. Certo é que eu adorava acompanhar as canções apaixonadas de cantores como Zezé di Camargo e inventei que queria ser cantor. É claro que a voz fina de criança não me ajudaria em nada a convencer alguém que eu tinha futuro e eu certamente - apesar de na época pensar o contrário - não tinha ritmo nenhum. Mas então eu comecei a imitar os "grandes" cantores, sabe como é, dormia escutando Zezé até que consegui, cantar como adulto e gravei um CD com minhas próprias composições e porra, deu certo!

Então eu tinha meus oito ou nove anos e comecei a demorar bastante no banho. Não, não é nada disso que vocês estão pensando. É que eu ficava lá, na masturbação vocal, cantando os sucessos num só fôlego e pensando em como eu metarfoseava minha voz naquela do cantor que eu queria. Cheguei à conclusão de que eu era um grande imitador e passei dias com esse segredo na ponta da língua sem contar para ninguém.

E nessa época eu tinha um amigo, do tipo de amigo que te acompanha a infância inteira e depois vocês se separam sem grandes traumas, mas com lembranças boas e ruins - acho que vocês sabem como é isso. Então um dia, lá pelos meus nove anos, falei para esse amigo que eu cantava uma música constrangedora igualzinho a seus intérpretes (uma dupla juvenil muito famosa na época que deixarei vocês suporem). Obviamente, ele me desacreditou. Com todo orgulho de mim mesmo, cantei a música, imitando perfeitamente - só para mim era, é claro - todos os trejeitos e manobras vocálicas dos dois. Nossa, me achei genial. No fim do trecho que cantei, ele riu. Sabe, as crianças sabem ser muito cruéis com as outras. Ainda mais quando as outras merecem, como eu, que estava me gabando de algo que não fazia. Fato é que ele não só riu como ficou torrando minha paciência por um bom tempo. Não satisfeito, falei com outro colega para que ele dissesse a verdade: que eu cantava bem à beça. O que, naturalmente, não aconteceu.

E a vergonha de mim mesmo foi tão forte, mas tão forte que nunca mais falei aquilo. Nunca mais disse que queria ser nada, nem "grande". Meus pais saíram espalhando que eu disse que seria cantor, o que passou a ser totalmente vexativo. Mas a verdade é que, não fosse esse amigo e esse episódio, porra, eu podia ser um rockstar hoje! Ou um cantor de arrocha, sei lá. Mas jogaram meu sonho no lixo e pisotearam e fiquei tão murcho que nunca mais encontrei outro sonho com aquele vigor, nem no supermercado - onde aos quatorze anos, revoltado com o mundo capitalista, eu dizia que era o único lugar possível de encontrar um. Pseudo-revolta. Que agravante terrível para um garoto de quatorze anos, não? Sei que dos oito anos a hoje não me tornei cantor nem médico, dos quatorze pra cá não sou líder estudantil nem tenho qualquer ligação política e me tornei um homem azedo e desgostoso da vida, que só alimenta um sonho tímido e dessa vez não vai contá-lo a ninguém.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O que acontece quando você conclui que se passam anos e anos e você continua o mesmo adolescente ridículo, inseguro e solitário?

De antes da inatividade poética:

Geometria

Se acha que nós dois
somos linhas paralelas
não te dou trela:
Trago o infinito
Só pra te encontrar
Não sei por que, mas é só o ano mudar e o blog atual se torna sem graça e despropositado. Não consigo fazer mais poema, não sei mais sobre o que escrever e quando penso algo que acho relevante - não que de fato seja - estou lendo, ou fazendo outra coisa e sem a mínima vontade de escrever.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Is it wrong to want to live on your own ?
No, it's not wrong - but I must know
How can someone so young
Sing words so sad?"

Oh, man, I'm really fucked. "Heaven knows I'm miserable now..." Smiths' songs can talk a lot of things for me and I can't dislike it. I don't like being fucked at all. But sometimes it's better to take my time. Even if I always took my time in my life. I'm never ahead the things. I don't have to be, but move on is pretty cool, don't you think? I can't see it. Not now.

Screw my poor english. I just want to write everything fucked (well, at least as wrong as I am) like I am. haha.