segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Acabou a palhaçada. Esse blog voltou. Finalmente arranjei uma razão. E alguém poderá se perguntar o motivo... e então, eu poderei dizer que não, tudo isso não é porque eu estou triste. É muito mais porque eu deveria estar feliz. Mas concluí que talvez não passe de uma ilusão.

"Sim, promessas fiz,
Fiz projetos, pensei tanta coisa
E agora o coração me diz
Que só em seus braços, meu bem
Eu ia ser feliz
Eu tenho este amor para dar
O que que eu vou fazer?"

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

So let's have some fun



I'm just a little person
One person in a sea
Of many little people
Who are not aware of me
I do my little job
And live my little life
Eat my little meals
Miss my little kid and wife
And somewhere maybe someday
Maybe somewhere far away
I'll find a second little person
Who will look at me and say
I know you
You're the one I've waited for
Let's have some fun
Life is precious
Every minute
And more precious with you in it
So let's have some fun
We'll take a road trip
Way out West
You're the one
I like the best
I'm glad I found you
Like hanging round you
You're the one
I like the best
Somewhere maybe someday
Maybe somewhere far away
Somewhere maybe someday
Maybe somewhere far away
Somewhere maybe someday
Maybe somewhere far away
I'll meet a second little person
And we'll go out and play"


Música de Jon Brion, cantada por Deanna Storey, trilha do único filme de Charlie Kaufman.

Quero assistir Sinédoque, Nova Iorque de novo. Apesar de tão triste.

domingo, 27 de setembro de 2009

I want you (so bad)

Eu não quero essa inquietação, esse sofrer contido a querer extravasar a todo instante. Saudades de delirar de amor no poente, de querer me ver brilhar nos olhos teus, de entrelaçar-me em teus braços, perder meus dedos em seus cabelos, entregar-me a teus desalinhos e ficar tão contente que do brilho dos olhos meus a lua invejasse. E triste, me chamasse, a sangrar, a sangrar...


P.S.: escrevi esse negócio em forma de poema. Mas como disse o mestre Chorão: "eu não sei fazer poesia, mas que se foda!" Postei assim, me constrange menos.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Por onde anda a canção..."*

Estou aqui lendo sobre o uso de tecnologias de informação e comunicação pelos árabes e judeus e... argh, por que me entedio tanto?
E fico ansioso. E com a sensação de que o essencial (que seria, para o meu orientador ou para muita gente, o fútil) está sendo deixado para trás e que estou perdendo tempo... no meio das aulas os meus rabiscos são "tomar porre e fazer música/ escrever e fazer amor/ essa é a vida que eu quero/ e para onde não vou" e... enfim, essa não-vida é inclusive não falar contigo e não te ver... é como fechar a porta e estar do lado de cá, respirando e transpirando, esperando por você enquanto eu supostamente deveria estar simplesmente te procurando (ou seja, deixando a porta aberta) e dando conta do que eu tenho que fazer.
De um dia desses para cá, quando eu mais devia ter a chave, eu a perdi. Vejo a vida passar pela janela e sorrir, mas eu fico. E tento ter esperança de que você não se canse da minha mudez, do fechar de portas e das minhas janelas de vidro. E da casa inteira, que seja, casa-nenhuma, sou eu, só eu e a metafísica desatinada, a escoar por toda a extensão de tempo, roubando-o de mim, se é que já o tive.
E enquanto escrevo essas linhas sem razão, enquanto canto "Onde anda você", pousa no meu quarto uma esperança. Verde e feia, mas sinal de sorte? Nunca se deve matar uma esperança, enquanto tantos ratos correm e se escondem e atravessam os caminhos que deviam ser só seus. Essa esperança, ah, é saudade que não fala.

E só pensa: "Quero ter você pra mim".


* Trecho de "Onde anda você", Vinicius de Moraes (se tem algum parceiro eu estou com preguiça de checar...)

P.S.: o rabisco é só um rabisco. Não me levem a mal (especialmente pelo "tomar porre", especialmente).

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Estou na fila da emergência. Eu quero que o próximo não seja eu. Meu irmão está lá dentro, no consultório, e sinto meu coração palpitar mais forte. Alguma taquicardia, reflexo de uma espécie de angústia e algum amor, quem sabe? Vejo as pessoas de guarda-pó branco vindo de lá para cá. Meu coração se aperta.

Eu tenho medo dessa fila, quero que você me salve dela. Tenho medo de morrer, e de morrer de amor, meu amor. Eu digo que a minha vida é convalescência, dor no espírito, mas no fundo você sabe que a minha cura é você. Você.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Se você vier, se

Escuta, isso é o que o amor faz comigo. Eu queria que você viesse a mim e visse isso. Viesse e visse, ver e vir, vir e vier... enfim, são dois verbos que confundem as pessoas e tem significados tão díspares. Eu, por exemplo, sei que te vejo muitas vezes, mas ver não é enxergar. É simples: quem eu vejo é um simulacro, qualquer fantasma nobre que não sei quem é, mas por quem estou constantemente apaixonado. E é assim que eu te vejo e tenho alegria porque sim, mas tudo isso aqui não faz sentido nenhum se for assim, com o "vir" e não o "vier". E principalmente com o "viesse". Com a suposição, e jamais a certeza.

Fosse como eu queria: nenhuma dor, sua palavra, seus versos, suas declarações, alguma forma de invenção. Engendraria, assim, pedaços de sentimentos através das suas cores novas. E, ao alcance de suas mãos, ficariam as mais bonitas sensações. Isto é, se eu fosse o "vier". Isto é, se tudo fosse certeza e não apenas mais uma elocubração.

Daí que é melhor largar de vez o futuro do pretérito e qualquer subjuntivo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A-deu-são

Escute, meu chapa, um poeta não se faz com versos
É o risco
É estar sempre a perigo, sem medo
É inventar o perigo
E estar sempre recriando dificuldades cada vez maiores
é destruir a linguagem, explodir com ela
nada no bolso e nas mãos
e sabendo
é perigoso
divino, maravilhoso
poetar é simples:
"como dois e dois são quatro
sei que a vida vale à pena"
etc etc etc
Difícil é não correr com os versos debaixo do braço
Difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa
Difícil, se você não é poeta,
é não negar sua poesia
O que, pensando bem,
não é nada
se você está sempre pronto
a temer tudo
menos o ridículo
de recitar versinhos sorridentes
E o que é pior:
sair por aí como um alegre e sorridente mestre de cerimônias
herdeiro da poesia
dos que levaram a coisa até o fim
e continuam levando, graças a deus
Mas fique sabendo, olhe aqui
Quem não arrisca não pode berrar
Uma citação:
"Leve um homem e um boi a um matadouro
O que berrar mais na hora do perigo
É o homem, nem que seja o boi"
A-Deu-São
Adeusão.

(por Torquato Neto).

sábado, 29 de agosto de 2009

I am trying to break you heart

Na cor dos seus olhos eu vejo uma espécie de salvação, como uma calma pós-chuva torrencial. Lado avesso do circuito infinito, massacre dos meus sentimentos, eu te vejo perto e sei que você não vai me ver. Você está tão perto e parece estar acima, na segurança de quem sabe bem o que e quem quer da vida – o que, posso afirmar, não me inclui.

Pelo menos agora não. E certo de que seus olhos provocantes não me dizem nenhuma verdade, me entrego aos teus desalinhos, aos seus mistérios e vias tortuosas. A seu prazer de viver. Sinto o hálito doce misturado com álcool e então fecho meus olhos. Um dia, ah, um dia, há de ser minha. De olhos fechados, é claro.

sábado, 15 de agosto de 2009

Eu costumava dizer que escrevia porque precisava. Como uma necessidade de me expressar, passar a angústia para o papel, como disse há uns posts atrás.
Fato é que - só agora percebo - eu não escrevo porque preciso, mas porque quero. Eu quero transbordar algo que não existe. É esse o meu principal contato com a experiência humana, é a minha forma de sentir, e não pensar que o frio da sala de cinema é o mesmo frio que passa em minhas veias. Escrevo porque quero sentir que há vida pulsando, que eu tenho alma.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Tentativa

Ser
desmorecer
esmore
ser
pade
ser
adoe
ser
até da vida
a última gota
desapare
ser

Pouca vergonha

eu rimo
vida
com ferida
e repito
aos quatro cantos
que a minha cura
é você

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Só porque eu não tô normal

Te amei mais do que pude
Mais do que devia
E como honraria
Me deste mil elogios

Inteligente, sou seu tipo
Faço das tripas coração
Só para ser seu sorriso

Costumava ouvir
o que você ouve
acompanhar seus passos
ver-me seu em cada pedaço
iludir-me em vão

Hoje não há mais nada
sou sombra desse amor
voo de flor em flor
de beleza em beleza
de bebida em clareza
de dor em alegria
viva!

P.S.: não é lá um bom recomeço, (pelo contrário, é trash!) mas cá estou eu. Na verdade, o melhor do poema (agora que eu editei) são os riscos. Como é que se diz que uma coisa tá tosca de propósito? É, pronto, tá dito.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Para não perder o hábito

das citações:

O fim do homem é sempre mais marcado que seu início. O pôr-do-sol, a música de encerramento, assim como a última mordida de um doce sempre é mais doce no final. O que é escrito na lembrança vale mais do que aquilo que ficou perdido no passado."


Shakespeare. Fecha Som e Fúria, seriado da Globo muito bom do qual só pude assistir o fim hoje, muitíssimo bem.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Quase uma antipropaganda

- Que é isso que você trouxe?
- É a revista da minha faculdade.
- Ahn...
- Tem um entrevista minha nela. Quer dizer, uma que eu fiz.
- Ah, legal. Com quem?
- Hm, um poeta (você não conhece). Nildão.
- Quem?
- Nildão.
- Hm. Sobre o quê?
- Sobre ele, né? Ele é poeta, cartunista, designer, mora aqui no Rio Vermelho.
- Hmmmm. Deixa eu ver, onde tá aí?
- Aqui, ó. Ele que fez esses desenhos também (veja abaixo). Ele pichava umas frases na rua, tipo "Irmã Dulce tem conta na Suíça" e "Ando sem medo, isso me amedronta", nos anos oitenta.
- Heheh. Legal. Ele é conhecido?
- É. Mais ou menos. Não muito...
- Ahhn...


Quem tiver interesse em ler, a entrevista está aqui, na página 31. Ou então veja logo abaixo. Na verdade, da entrevista verdadeira só tem o rastro, de tão mutilada que ela foi para a publicação. E parece que foi um imbecil que fez, do tipo que pergunta "É verdade que você fez jornalismo?".


Fazer o que, né? Não vou esconder a revista.

***
O que andei fazendo:
- Jornal da Facom nº20: "Desafios da UFBa nova", p. 12 e 13.
- Vila Brandão Existe: projeto experimental na comunidade Vila Brandão, de Salvador.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Escrever sobre si mesmo perde todo o sentido quando todo o mundo duvida da sinceridade de suas razões. Resultado: mentirei mais.

Eu passei a considerar tudo o que me vem à cabeça, ou toda sensação de mal ou bem estar como irrelevante. A conclusão é de que tudo perde o sentido, mesmo. Fato é que quando tudo é igual, nada merece ser escrito, nada merece ter esse valor. Porque as pessoas - e eu também, é óbvio - pensam que, se você escreve, é porque aquilo tem algum valor. Ou é verdade para sempre. É como se fosse uma marca. Se eu escrevo coisas porque estou triste, isso significa - para elas - que sou infeliz por completo com a vida que levo. É uma verdade brutal: se não quer que ninguém te estigmatize, não seja sincero. Não ponha sua angústia no papel. Não escreva para lembrar - só para esquecer de si. E o esquecimento não se faz se alguém se lembra do que você escreveu.

A conclusão é de que a partir de agora não haverá sinceridade por aqui. Talvez assim eu pareça mais autêntico, menos estereotipado, menos bizarro.

É isso.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Eu sou um mentiroso

...e ainda não esgotei as ditas lamentações. Tanto que pensei em criar outro blog para me lamentar. Mas concluí que oh!, eu já tenho um!


Os dias
------ se passam
e eu vou escrevendo menos
------------amando menos
é como se um pedaço
de mim
-------- um importante
estivesse perdido
e querê-lo de volta
fosse, também, despedaçar-me


(no fim, foi primeiro de abril mesmo)

terça-feira, 23 de junho de 2009

adeus, gente boa

oi, acho que isso é o fim.
ou um pequeno intervalo, talvez.

sei lá.
fui tomar um cafézinho.

ps.: eu não tomo café. nem chá. nem leite.
tive uma ideia para um blog novo, mas esqueci.
e lembrei agora que não tenho o que escrever. esgotei todas as lamentações possíveis.

(dessa vez não é 1º de abril)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

Conte-me algo engraçado

O último post foi o mais engraçado (ou talvez o único engraçado) de todos os tempos desse blog. Pior que nem foi proposital. É.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Não tenho mais o que postar no blog desde que resolvi que tá tudo ok...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

De tempos em tempos esse blog perde todo o sentido.

Primeiro porque não faço poesia sempre - se o sentido desse blog fosse postar poema.

Segundo porque essa loucura por escrever - escrever sempre, enfim - não me é própria. Raramente tenho vontade de postar alguma coisa. E raramente é de minha autoria (os diálogos não são necessariamente "meus"...).

Terceiro porque o que mais tem aqui é tristeza. Escrevo, geralmente, porque estou triste. Talvez eu tenha me acostumado com essa ideia de ser triste, quando na realidade está tudo ok, nada que não se possa resolver, nada que mereça drama. Em suma, não sou infeliz. Dia desses eu repensei se faço tipo, e não sei se é exatamente isso, mas fato é que me cansei de "ser" assim. Se eu não conseguir ser de outro jeito, é porque não faço tipo. Se eu conseguir, como acho que consigo, é bem provável que eu esteja perto do "fake".

E aí, das duas opções, o que é pior?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Pule para o próximo post

não deixo marcas
por onde passo
sou mais chegado
a marcapasso

Comum.

Garganta profunda: Eu só acredito na moça da limpeza. O resto para mim é esterco. Escreva uma história sobre mim. Pessoa* andava com o semblante vazio. Foi ao banco uma, duas vezes. Não havia dinheiro. Desistiu.

Eu: Eu acho que eu cansei de gente vazia e problemática...

GP: Entrou no elevador e se deparou com a pergunta de uma anônima:

Eu: Cansei de vazio, angústia, enfim...

GP: - Posso falar uma coisa? (Cara de interrogação.

Eu: Mas essa história está ótima, de qualquer modo.

GP: - Pode, claro. - Posso te dar um abraço?

Eu: (risos)

GP: - Por quê...? (Hesitação.)

Eu: Você devia postar isso no seu blog.

GP: - Você anda com uma carinha... - Haha, pode, claro. (Medo do mundo).

Eu: (risos) Eu gostei.

GP: Damos de cara com as situações mais inusitadas em elevadores com desconhecidos.

Eu: Você passou mesmo por isso?

GP: Sim. E sobre o que você estava dizendo... eu também me canso das pessoas problemáticas com grande facilidade. Preciso de pessoas coerentes, mas que não vejam o mundo tão cinza quanto eu.

Eu: É. Bem assim, mesmo.

GP: Mas são raras aquelas que valem a pena... que não efusivas ou cansativas... é raro dar de cara com alguém bom de se estar simplesmente... encontrar por acaso e parar pra conversar por alguns instantes e não sentir o tempo perdido. Tenho pouco disso. E geralmente é com gente que não dá para aprofundar pela falta de contato e tempo mesmo. Acaba sendo sempre um sorriso banal. Aliás, banal soa ruim.

Eu: Banal sempre soa ruim

GP: Mas é sempre algo gratuito. Não sei explicar.

Eu: E eu estava pensando em por que temos essa obsessão pelo incomum

GP: ...é um sorriso sem esforço, sincero. Antes eu tinha mais isso que você falou agora.

Eu: E é uma coisa que frustra. Há poucas pessoas que são mesmo incomuns.

GP: A maioria das pessoas incomuns... sei lá, são tão ordinárias quanto as outras. Às vezes, constroem a imagem do incomum para si. Para se vender, como um produto. Mas é algo que não tem conteúdo...

Eu: É, é por causa da obsessão...

GP: ...ou tem um conteúdo batido. Eu quero gente que esteja pensando em outras coisas, interessada em outras coisas.

Eu: Eu acho que sou banal. E acho que estou satisfeito com isto.

GP: Eu me sinto bem...

Eu: Acho.


P.S.: A identidade de "Garganta profunda" não foi revelada para preservar a fonte. (Haha, que piada ruim.)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pequeno manual de como não se comportar

- Você não me ama... você se encantou comigo.

- É, talvez eu tenha confundido mesmo...

- É que amor... Essa palavra. A gente é tão novo. É uma palavra muito forte.

- Talvez porque a gente sempre espere que amar seja fazer das tripas coração. E constantemente somos bombardeados - nos filmes, na tevê ou nos livros - com o tipo de amor idealizado, a entrega plena e irracional, a deriva - nem que seja mental - nos braços do outro. Mas o amor - essa palavra - assim não é amor. É compulsão. Se quer irracionalidade, vá ao HCT. Não posso te dar isso...

- Isso... era para ser uma declaração?

- Não. É, talvez. Você quem diz...

- Não parece que você me quer muito, não... Ouço palavras e não sinto coisa alguma. Aliás, que tipo de amor é esse, que mais parece desprezo? Ou...

- É porque isso é perda de tempo. Não era para acontecer assim, sabe? Você sabe disso.

- Sei. E como é que tinha que ser?

- Nada dessa história de amor, essa palavra assim, atirada de páraquedas entre a gente. Sabe, tinha um programa de tevê que eu assistia quando pequeno, o nome era Passa ou Repassa. Era sempre um jogo entre duas equipes e uma das provas se chamava Batata Quente. Era mais ou menos assim: um membro de cada equipe segura um balão que vai enchendo aos poucos enquanto uma pergunta não é respondida corretamente. Se for respondida, o balão vai para o membro da outra equipe, que deve responder também uma pergunta e assim por diante, até que o balão estoura na mão de algum dos dois - e é esse quem perde. Pois se declarar é quase isso: é como jogar o sentimento que nem uma batata quente na mão da garota. E ela fica sem saber o que fazer - ou responder -, com aquela "batata quente" na mão, jogando de um lado para o outro, até que, quando ela estiver pra estourar, joga de novo em você.

- ...Façamos um purê, então.

- Não, não é uma batata, é só um balão. Digo, é só uma droga de sentimento. Te digo, então, como era para ser. É para ser assim: eu me interesso por você, você por mim e é isso, começa a haver uma espécie de envolvimento - sem que ninguém toque no nome desta droga de amor durante certo tempo. Até que, depois, "ele" aparece como se sempre estivesse ali. Entendeu?

- Ei. Eu não sou burra. Acontece que eu acho isso bonito. A pessoa dizer, assim...

- Tá. Mas é que, ok, isso simplesmente não funciona. Se funcionar, pode acreditar que é filme. E agora, se você não se importa, eu vou embora. Você pediu para falar comigo e acho que já foi o bastante. Adeus.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Não é epifania. Chega de "epifanias". É ridículo.

Para os escritores brasileiros contemporâneos, não existem pessoas normais, que não sofram de alguma angústia misteriosa, ou que tenham, simplesmente, uma vida boa. Essas pessoas não rendem boas histórias. Não. O que dá certo é introjetar na gente essa idéia de padecimento. É aquela coisa que eu costumo achar boa - mas que as vezes é tãõ chata - de identificação. Não, eu não quero ver meus sentimentos na tela. Não tô muito mais disposto a ver meu vazio refletido, ou qualquer falta de perspectiva. E não sei que moda é essa de que o nada é interessante ou quem inventou isso.

Engraçado é que, se eu paro e penso sobre o que escreveria (se eu, por acaso, me atrevesse a escrever), também não me imagino criando um personagem "normal". É estranho: normal passa a ser sinônimo de desinteressante ou simplesmente banal. Ninguém vê nada além no rapaz que toma cerveja com os amigos, mantêm um relacionamento estável com a namorada e tem um emprego comum - e é feliz com o emprego que tem. Aparentemente, não há conflito algum nesses fatos, não há uma história boa. Mas história. E é nisso que eu prefiro, hoje, acreditar que é mais interessante.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Eu acho que todo mundo devia ler isso. Hehe.

Já estamos entendendo errado as pessoas antes mesmo de encontrá-las, enquanto ainda estamos prevendo o que vai acontecer; entendemos errado enquanto estamos diante delas; e depois vamos para casa e contamos a alguém sobre o encontro, e de novo entendemos tudo errado. Uma vez que a mesma coisa acontece com os outros em relação a nós, tudo vira uma ilusão desnorteante, destituída de qualquer percepção, uma espantosa farsa de incompreensões. E, com tudo isso, o que é que vamos fazer a respeito dessa questão profundamente significativa que são as outras pessoas, que se veem drenadas de toda a significação que julgamos ser a delas e adquirem, em vez disso, um significado burlesco, o que vamos fazer se estamos tão mal equipados para distinguir os movimentos interiores e os propósitos invisíveis uns dos outros? Será que todo o mundo devia trancar a porta de casa e ficar quieto, isolado, como fazem os escritores solitários, em uma cela a prova de som, invocando as pessoas por meio de palavras e depois sugerindo que essas pessoas feitas de palavras estão mais próximas das coisas reais do que as pessoas reais que deturpamos todos os dias com a nossa ignorância? Persiste o fato de que entender direito as pessoas não é uma coisa própria da vida, nem um pouco. Viver é entender as pessoas errado, entendê-las errado, errado e errado, para depois, reconsiderando tudo cuidadosamente, entender mais uma vez as pessoas errado. É assim que sabemos que continuamos vivos: estando errados. Talvez a melhor coisa fosse esquecer se estamos certos ou errados a respeito das pessoas e simplesmente ir vivendo do jeito que der. Mas se você é capaz de fazer isso... bem, boa sorte."


Pastoral americana. 1997. Philip Roth. Originalmente postado aqui.

sábado, 16 de maio de 2009

...estou vivendo.

Beber na intenção de não amar. Viver para não sofrer, para se perdoar e por aí sair, sem se preocupar em quando voltar. Sem saber que não há ninguém a sua espera, e que ninguém vai te ligar. Beber.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Minha, vida, uma, frase, cheia, de, vírgulas, mal, colocadas, (cujo, sujeito, é, sempre, separado, do, predicado).

sábado, 9 de maio de 2009

Movimentos para dias nublados:
casacos e guarda-chuvas
sincronizados.

(poema estilo Letícia, hehe.)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

"se não somos chipanzés é porque temos a melancólica capacidade de chorar sozinhos durante as madrugadas" - Dentes Guardados, Daniel Galera.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Tédio

I

perdido eu estava
te encontrei:
não me encontrava

II

tristeza
olhos de menina
barriga de obesa

III

temporal:
sobra chuva
falta sal


P.S.: A "II" é uma das piores que já fiz (o:

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Das melhores frases do cinema

(...) I thought of that old joke, you know, the, this, this guy goes to a psychiatrist and says, 'Doc, uh, my brother's crazy, he thinks he's a chicken,' and uh, the doctor says, 'well why don't you turn him in?' And the guy says, 'I would, but I need the eggs.' Well, I guess that's pretty much now how I feel about relationships. You know, they're totally irrational and crazy and absurd and, but uh, I guess we keep going through it...because...most of us need the eggs.


Alvy Singer em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Woody Allen)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Enfadonho

não use o poema
para fugir de si
se quer escrever,
ponha o que sentir

não me venha
com poema
sobre chocolate
livro, cinema,

o que interessa é saber
que do outro lado de quem lê
pulsa alguma coisa
que não seja um pão mofado

o resto, meus caros,
é (en)fado(nho).

quarta-feira, 18 de março de 2009

O coração desenhado, com essa concavidade, não me deixa outra alternativa senão rabiscar um fluxo vermelho que dali esguicha e se espalha tomando do céu espaço e do mundo o total.

terça-feira, 17 de março de 2009

Fraude dos versinhos

Do canto
do meu centro
o poema me olha
de dentro
e me escreve

segunda-feira, 16 de março de 2009

As canções de amor


Parei com as canções de amor. Canções de amor são como flores de plástico. Os amores vem e vão, mas elas continuam lá. Emboloram, às vezes, mas permanecem em cima dos móveis, nos cantos da casa, como se fossem vivas.

Chega um dia que você tem que jogar as velhas flores de plástico fora. Elas não são mais bonitas, e se ainda forem, não há mais nada de belo em você.

domingo, 15 de março de 2009

...

É só começarem as aulas e minha criatividade desaparece.

E nada mais de versos. Nem um continho, nem vontade de escrever sobre qualquer coisa que não sirva para nada, nem pra mim.

Vontade de criar outro blog.

sábado, 14 de março de 2009

Preciso de uma cerveja, ponto

Uma cerveja, uma água ardente com limão, eu vou (?) lá na gafieira...

sábado, 7 de março de 2009

A gorda.

Não viver numa bolha dá trabalho demais. É ter que ficar informado que. Tentar me relacionar com gente que. Me relacionar. Ser uma ilha. Deixa a ilha ir, "dentro de uma bolha que flutua por aí". E ainda assim, não adianta muito - acho tudo (é) ruim.

E então me vem à cabeça a diferença grande (não tênue, acreditem em mim) entre achar tudo ruim e saber que tudo está ruim. Porque quando se sabe que tudo é ruim, você consegue conviver com isto sem grandes incômodos. Sem aquela sensação de que. Aquela que. E suas tripas se engalfinhando porque. Aquela velha idéia de que não, você é, sim, um merda.

E quando se acha tudo ruim, lá vem o peso. Uma gorda pula do décimo andar em cima de você e você até que podia, mas não consegue escapar dela.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O mesmo tipo de pessoa que confunde sonhos (aquilo que você tem durante o sono) com sonhos (o que você estabelece como meta de sua vida - meio ridículo chamar de "sonho", não?) é o que acha que economia (a ciência social e blá-blá-blá) e economia (o que se faz em casa, com a comida ou itens de higiene pessoal, ou com sua conta bancária) são a mesma coisa.

Veja Paulo Coelho, por exemplo. Em "O Alquimista", o pastor de ovelhas, personagem principal da trama, sonha (durante a noite) que encontrou um tesouro. Então, ele vai a uma decifradora de sonhos (ou sei lá como Coelhinho chama) que diz a ele que é seu destino. Tá, até aí tudo bem. Mas Polô diz bem claramente que esse sonho passa a ser sonho, o segundo significado. O que não faz sentido nenhum, né? Se eu sonhasse que eu era um astronauta eu não ia ser um astronauta, ia?

Outro caso é a economia. No Bahia Meio-Dia. Sim. Patrícia Nobre e Jony (?) fazem uma interessante chamada: crianças estão aprendendo sobre economia! Ok, ninguém pensou que elas estivessem aprendendo um pouquinho de como o mundo lôco funciona - e ainda bem que não estavam. Mas mas... eles falaram como se fosse! Juro. Então, aparece a reportagem: os meninos aprendiam a fazer sua própria conta, onde colocariam dez reais por mês. Se eu fosse eles, usava os dez reais, porque pense, um dia eles usarão. Chegarão na adolescência, pura malemolência, libido de vampiro (assim me faz pensar True Blood, seriezinha simpática que tenho assistido) e pá, gastam com... coisas. Enfim, eles bem que poderiam aprender a história do dinheiro ou coisas assim, mas ah, se me lembro bem, quando criança eu achava tudo isso muito chato. Assim é bom para eles, que economizam pra uns anos depois. Quem quer saber da outra economia?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Nada me tira da cabeça que a vida é um filme clichê, geralmente sem diálogos tão interessantes, mas com tomadas longas e chatas... enfim, é um hibridismo terrível. Comédia hollywoodiana tosca misturada com cinema de arte, toques de drama, humor e, ah, os bons momentos. Daí que, nessa hora, seria melhor se o clichê se completasse e o final fosse feliz, mas é tudo tão incerto, é tudo tão "uma trama por trás da outra, por trás da outra, etc., etc." (a vida como um episódio de Heroes) e a vida puxando o tapete e tudo mudando e ah, o final fica sempre para a próxima sessão, talvez sem pipocas nem doces, talvez um fim insosso ou dramático.
Mas nada de "epifanias", por favor.

As vidas que terminam com os artigos literários de jornais e revistas, tão portentosas no primeiro plano e acabando numa cauda desfeita, lá pela página trinta e dois, entre anúncios de liquidação e tubos de dentifrício." (O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar, pra variar...)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Daqui a pouco estou saindo e na verdade não sei se vou ou se fico.

Quando páro pra me lembrar de minha infância, da mais remota de todas, só consigo lembrar que um certo grupo brincava de Cavaleiros do Zodíaco e eu, de todos os garotos que ficavam de fora, era uma espécie de reserva. Na época eu não entendia e sequer ligava de ser, digamos, excluído. Afinal, percebam, os outros não eram reserva. E eu não era um deles porque, ora ora, os Cavaleiros eram em número limitado. Está bem, talvez fosse isso que eu pensasse para não pensar que. É.

Lembro-me de uma tarde brincando sozinho, dos dias nas casas dos tios, sem pais nem e irmão nem primos, uma solidão vigiada por empregados que me eram estranhos. Uma tarde remota em que todos eram felizes e corriam no parque e eu, do alto da casinha, olhava a lua. Uma viagem cujo salgadinho da Elma Chips fedia a vômito e meu pai reclamava na entrada do ferry boat. Minha tartaruga que se chamava Michelangelo, sei lá o motivo, um nome meio estranho para qualquer animal, especialmente uma tartaruga. Ah, Michelangelo, o único bicho que eu pude "criar", mesmo porque tartarugas não se criam, elas se perdem pela casa e só precisam de um lugar com um pouco de água, que nesse caso era a varanda lá de casa.

Lembro daquela casa, dos botões do som que eu gostava de mexer e mexia tanto que os quebrava. Uma vez quebrei uma vitrola e não houve conserto. Outra vez joguei o walkman de meu irmão no chão, mas meu pai consertou. Meu pai era o homem dos consertos. Acho que ainda é, mas quando a gente é criança tudo parece ilimitado. Não que eu o visse como qualquer tipo de herói, sabe como é, vocês sabem sim.

Lembro da primeira pessoa que encontrei uma dezena de gostos em comum e esse foi meu melhor amigo durante tantos anos que até hoje minha mãe diz que é, mesmo que, obviamente, as coisas mudem. Não sei por que, mas certa consciência de que tinha dificuldade de me relacionar data de quando eu tinha... 8 anos? E ainda assim, os meus amigos da época me diziam o contrário e eu sorria.

Alguns diziam que eu tinha a língua fora da boca e que tinha resposta pra tudo. E quando o tempo passou, tudo que eu queria era encontrar esse desprendimento completo, era me reencontrar na esquina da vida que dobrei e que logo após pus em obras, pra balanço, conserto, o que for. Acho que qualquer um passa por esse tipo de processo e... Ou não.

De sorte que eu não hei de reencontrar por completo aquela criança meio inocente meio sofrida, sem tantos problemas, que se dava bem com a solidão de menino de apartamento. Ainda bem que o mundo é grande e podemos ser tanta coisa, mesmo que nem tanta coisa assim. Posso ver aquela criança em cada doce, salgadinho que como, cada brinquedo de um primo mais jovem que me interesso em partilhar, cada vontade que a vida me traz de fazer qualquer coisa nova, mesmo que para muitos nem seja tão nova assim.

É por isso, é claro, que vivo de trás pra frente, que esse passado está comigo de uma forma diferente. Porque, graças, ninguém é o mesmo de tempos atrás, nem aquele meu amigo. Ainda bem que a gente muda e a lembrança inacreditavelmente fica, dói, faz sorrir.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Pobre do amor que só se alimenta de pensamentos"


Ossip, em O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

"(...) o que pensamos da felicidade? O que pensamos da derrota e da vitória?
Quando se fala hoje em dia num final feliz, as pessoas consideram-no uma simples concessão ao público ou uma estratégia comercial; consideram-no artificial. Mas por séculos os homens puderam acreditar sinceramente na felicidade e na vitória, embora percebessem a dignidade intrínseca da derrota. Por exemplo, quando se escrevia sobre o Velocino de Ouro (uma das velhas histórias da humanidade), leitores e ouvintes sabiam desde o início que o tesouro seria encontrado no final.
Bem, hoje em dia, se alguém empreende uma aventura, sabemos que terminará em fracasso. (...) Quando lemos O castelo de Franz Kafka, sabemos que o homem jamais ingressará no castelo. Ou seja, não podemos realmente acreditar em felicidade ou sucesso. E isso talvez seja uma das pobrezas de nosso tempo."


Jorge Luis Borges (Esse Ofício do Verso)

Pílulas

I

do avesso
me reviro inteiro
me faço de espelho
só pra não me ver

II

satisfação
devia ser só palavra
e não utopia

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"Não escreva sobre o amor;

escreva sobre o nada",
ela me disse

mas eu me pergunto
e quando o nada acaba
não sobra mais nada
para escrever?

escrevo o que sinto
quase nunca minto
escrevo sobre tudo
mas nada sobre o mundo

qualquer verso sou eu
e se eu for nada
o nada ali escreveu:
o que ama
o que sente
o que pensa

o nada não aprende a ser tudo
mas o tudo pode ser nada
nos olhos de quem não vê o mundo

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Verdade seja dita:
a carta que é escrita
dói menos
que a que na cabeça grita

domingo, 11 de janeiro de 2009

Sabe aquele tipo que todo mundo odeia - ok, pelo menos eu detesto -, o blogueiro que acha que é poeta, e essas coisas todas? Porra, me tornei isto. Merda.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Como acabei não sendo um rockstar.

Quando eu era pequeno havia um dilema recorrente na minha cabeça. As pessoas me perguntavam o que eu queria ser quando eu crescesse e, honestamente, isso não é uma coisa com que crianças se ocupam muito. Pelo menos crianças do meu tipo, que só brincavam com tudo e quebravam tudo que aparecia o tempo inteiro. Um dia, quando eu era primeira série, a pergunta começou a me incomodar. Pensei em tudo que eu via naquela época. Nos programas de televisão e séries no estilo Plantão Médico. Primeiro eu concluí que queria ser médico, sei lá por quê. Eu mesmo não admirava tudo aquilo, só achava o seriado legal e nem era por causa das cirurgias, era só pela tensão. Meus pais e tios diziam enternecidos que era uma profissão bonita e eu ficava feliz porque dava uma resposta que até hoje (e sabe deus até quando mais) é satisfatória.

Um tempo depois eu fiquei na dúvida. Na época eu ouvia, com devoção, qualquer porcaria que fizesse sucesso - isso inclui Morango do Nordeste, de Lairton e Seus Teclados, que me lembra a estadia nos xalés de Valença, os patins no pátio do lugar, a piscina, ah, as batatas da perna comidas, da música, marcaram minha infância. Certo é que eu adorava acompanhar as canções apaixonadas de cantores como Zezé di Camargo e inventei que queria ser cantor. É claro que a voz fina de criança não me ajudaria em nada a convencer alguém que eu tinha futuro e eu certamente - apesar de na época pensar o contrário - não tinha ritmo nenhum. Mas então eu comecei a imitar os "grandes" cantores, sabe como é, dormia escutando Zezé até que consegui, cantar como adulto e gravei um CD com minhas próprias composições e porra, deu certo!

Então eu tinha meus oito ou nove anos e comecei a demorar bastante no banho. Não, não é nada disso que vocês estão pensando. É que eu ficava lá, na masturbação vocal, cantando os sucessos num só fôlego e pensando em como eu metarfoseava minha voz naquela do cantor que eu queria. Cheguei à conclusão de que eu era um grande imitador e passei dias com esse segredo na ponta da língua sem contar para ninguém.

E nessa época eu tinha um amigo, do tipo de amigo que te acompanha a infância inteira e depois vocês se separam sem grandes traumas, mas com lembranças boas e ruins - acho que vocês sabem como é isso. Então um dia, lá pelos meus nove anos, falei para esse amigo que eu cantava uma música constrangedora igualzinho a seus intérpretes (uma dupla juvenil muito famosa na época que deixarei vocês suporem). Obviamente, ele me desacreditou. Com todo orgulho de mim mesmo, cantei a música, imitando perfeitamente - só para mim era, é claro - todos os trejeitos e manobras vocálicas dos dois. Nossa, me achei genial. No fim do trecho que cantei, ele riu. Sabe, as crianças sabem ser muito cruéis com as outras. Ainda mais quando as outras merecem, como eu, que estava me gabando de algo que não fazia. Fato é que ele não só riu como ficou torrando minha paciência por um bom tempo. Não satisfeito, falei com outro colega para que ele dissesse a verdade: que eu cantava bem à beça. O que, naturalmente, não aconteceu.

E a vergonha de mim mesmo foi tão forte, mas tão forte que nunca mais falei aquilo. Nunca mais disse que queria ser nada, nem "grande". Meus pais saíram espalhando que eu disse que seria cantor, o que passou a ser totalmente vexativo. Mas a verdade é que, não fosse esse amigo e esse episódio, porra, eu podia ser um rockstar hoje! Ou um cantor de arrocha, sei lá. Mas jogaram meu sonho no lixo e pisotearam e fiquei tão murcho que nunca mais encontrei outro sonho com aquele vigor, nem no supermercado - onde aos quatorze anos, revoltado com o mundo capitalista, eu dizia que era o único lugar possível de encontrar um. Pseudo-revolta. Que agravante terrível para um garoto de quatorze anos, não? Sei que dos oito anos a hoje não me tornei cantor nem médico, dos quatorze pra cá não sou líder estudantil nem tenho qualquer ligação política e me tornei um homem azedo e desgostoso da vida, que só alimenta um sonho tímido e dessa vez não vai contá-lo a ninguém.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O que acontece quando você conclui que se passam anos e anos e você continua o mesmo adolescente ridículo, inseguro e solitário?

De antes da inatividade poética:

Geometria

Se acha que nós dois
somos linhas paralelas
não te dou trela:
Trago o infinito
Só pra te encontrar
Não sei por que, mas é só o ano mudar e o blog atual se torna sem graça e despropositado. Não consigo fazer mais poema, não sei mais sobre o que escrever e quando penso algo que acho relevante - não que de fato seja - estou lendo, ou fazendo outra coisa e sem a mínima vontade de escrever.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Is it wrong to want to live on your own ?
No, it's not wrong - but I must know
How can someone so young
Sing words so sad?"

Oh, man, I'm really fucked. "Heaven knows I'm miserable now..." Smiths' songs can talk a lot of things for me and I can't dislike it. I don't like being fucked at all. But sometimes it's better to take my time. Even if I always took my time in my life. I'm never ahead the things. I don't have to be, but move on is pretty cool, don't you think? I can't see it. Not now.

Screw my poor english. I just want to write everything fucked (well, at least as wrong as I am) like I am. haha.