quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009

se os fios dessa estrada
desatam os nós de minha vida
não quero mais nada
senão viajar

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A verdade

Como poderia a sinceridade ser uma condição da amizade? O gosto pela verdade a qualquer preço é uma paixão que nada poupa e que a nada resiste. É um vício, às vezes um conforto, ou um egoísmo. (Albert Camus)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

E sem mais

versos e escritos que me envergonhem mais do que o normal por um bom tempo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Historinha bizarra e mal escrita de um ser desprezível

Rodolfo acordava todos os dias às 5. Saía às 6:30, tomava o ônibus das 6:35 (que às vezes passava às 6:32, o que fazia Rodolfo chegar suado ao seu destino). Rodolfo estudava Produção em Comunicação e Cultura. Odiava esse nome. Mas até gostava do curso, mesmo sabendo-o pouco útil.

Estava pesquisando telenovelas na faculdade. Nunca entendeu esse tipo de pesquisa. E aí, você assiste a novela e tira suas conclusões. Daí você escreve um negócio que qualquer outra pessoa poderia ter escrito, provavelmente? Daí você coloca um referencial teórico de algum maluco, para analisar o tal programa. Daí que isso é inútil. Ninguém vai ler. Nem seu orientador lê direito. Por isso, Rodolfo andava cansado da vida acadêmica.

Fora da faculdade, sua vida pessoal era terrível. Freqüentava bares em alguns finais de semana, ou shows bacanas. E era tudo ainda assim muito pequeno. Muito solitário. Não é que não tivesse companhias. Às vezes elas lhe faltavam e isso lhe trazia sofrimento, mas pior mesmo eram as mulheres. Ah, as mulheres! Essas deixavam-no injuriado. Consentia, muitas vezes, porém, que a culpa não era delas. Ora, ora! Elas não tem culpa se Rodolfo não tinha qualquer atrativo. Não sabia abordá-las, cercá-las, demonstrar afeto. E ainda assim, em sua cabeça, pensava amar.

Deveria certamente ser qualquer tipo bizarro de amor. Mas amor, afinal. Antes amar que não sentir nada, era o que pensava. E seguia sem acertar. Desajeitado, perdia o passo e olhava para o céu. Todo aquele azul era bonito demais, grande demais, tudo demais. E por isso cruel.

Fazia Rodolfo pensar no quanto ele não queria nada com aquele azul bonito. No quanto ele vivia sem paixão, no quanto ele não sonhava. Queria ser feliz, mas como? Sabe, os degraus do céu maldito? Nunca descobria onde estavam. Seguia cursando algo que não sabia com o que faria depois, mas sugeria sempre uma alternativa. A vida acadêmica. A tediosa vida acadêmica.

E dentro dos livros pensava ver um pedacinho da escada. Mas era apenas uma figura, uma ilusão. Rodolfo sabia que a vida palpitava ali fora, naquele azul. E invejava quem andava por aí e a cada esquina tomava um gole do céu e vivia com maestria. Vida sem maestro, sem corda, sem nota, sem dó... de Rodolfo. Por que ter dó? Dó é dor de fracos.

A escada despia-se para os que sabiam que amor é coisa volúvel, que é como céu, está pleno e sempre à procura de algo novo, e ainda assim sempre dá certo. E na busca que o amor aparecia. Se eu disser que tudo isso está além de Rodolfo, estaria mentindo. Ele entende as coisas do mundo, esse rapaz. E por isso, não faz. Fazer é não entender.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

De hoje em diante

...eu vou modificar o meu modo de vida.
(...)

Não quero com isso dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela quando a gente ama
E tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar
Chorando até o fim
E pra não chorar
Eu só vou gostar de quem gosta de mim

Só vou gostar de quem gosta de mim, versão de Caetano.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Peito aberto

Sou do tipo que liga
- e chora -
no dia seguinte
ao término

sábado, 6 de dezembro de 2008

É cedo e eu estou vomitando. Na água fétida, vejo máscaras de mim, mas não me vejo refletido. Verdade: não sei quem sou. Essa face não é minha. Este vaso abaixo, também não, nem a casa, as vestes e - o mais importante - as pessoas lá fora. A cada vez que tento abraçar o mundo, vejo pés em vez de braços e chuto tudo de uma vez. Vai-se embora a intersecção: regurgito o mundo em mim e aquilo refletido já não sou eu. Esta ânsia é de se perder e se encontrar, viajar nos braços - e nunca nos pés - de outro alguém. Os pés, sim, estes entrelaçados. E na água os meus mais doces desejos, as mais belas máscaras, que você possa escolher.

Pássaro, passarinho


e só dia desses
me vi
passarinho
grandes asas
sem ninho

passarinho:
voa de asa em asa
transpassa
a fronteira do visível
e deixa beijos
no caminho

Como água

Só sei
que a vida me escorre
num fio de sangue

Pelos meus pés
a alma inquieta
não espera
o sofrer passar

Só sei
que a alma escoa líquida
pelos meus olhos
e evapora

Como se morrer fosse desaguar, derramar no céu, (...) evaporar" - Evaporar, Little Joy.

Homeopatia

De gota em gota
gole a gole
vou vivendo
em doses
homeopáticas
e apáticas
vez em quando
sincopadas
dessincrônicas
despedaçadas

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Não é bem assim, mas é bonito pensar

Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar,
Que o amor pode de repente chegar

Quando existe alguém que tem saudade de outro alguém
E esse outro alguém não entender
Deixe esse novo amor chegar,
Mesmo que depois seja imprescindível chorar

Que tolo fui eu que em vão tentei raciocinar
Nas coisas do amor que ninguém pode explicar
Vem nós dois vamos tentar,
Só um novo amor pode a saudade apagar

Caminhos Cruzados, João Gilberto.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Sessão espírita

Achado do começo do semestre, antes da avalanche de versos, que estranho:

tenho tantos fantasmas
a expurgar
que nem sessão espírita
pode me salvar

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Blá-blá.

Esse blog estranhamente voltou a sua proposta inicial, depois de um período de textos enormes e raríssimos por aqui. Qual era a proposta inicial mesmo? Exatamente isso aqui: um blog de poemas.

A lembrar que esse ficaria em paralelo com o outro, que teria a prosa de sempre, confessional, pseudo-filosófica, enfim, o que alguns poderiam até chamar de "crônicas" e eu só digo que são "textos".

E era aquela coisa despretensiosa que eu gostava de fazer e que deixei. Fazer o quê? Não posso controlar o que eu escrevo, não consigo me obrigar a escrever por prazer. Se o prazer vem desses poemas que não sou eu que escrevo, brotam do ambiente, da rotina, de sei lá o que que me acontecer. Então não posso dizer que são meus. Mas, de algum modo, não são seus, pois fazem parte da minha vivência. Não que a minha experiência não tenha qualquer intersecção com a sua, ninguém sabe como a vida é e "mistério sempre há de pintar por aí".

Mas a verdade é que eles simplesmente fluem e por isso estão aqui. Falando assim parece que eu psicografo ou que é aquela idéia boba da inspiração, de você sentar e esperar a deusa colocar as palavras na sua cabeça. Não é assim. Eles aparecem enquanto estou comendo, tomando banho, assistindo filmes, enfim, surgem mesmo nas horas impróprias. E gosto disso. Gosto de ter o papel e anotar. São versos bobos, mas eles são eu. São o que eu consigo fazer - não que isso seja grande coisa.

A prosa não é mais fluida como já foi, mas que culpa tenho eu? É a dinâmica da minha cabeça. E que venham mais poemas de quatro linhas.