domingo, 30 de novembro de 2008

Cegueira II

Estou cego
e não sinto
vontade de enxergar

Não minto:
cansei de esperar
que esqueça do teu ego

sábado, 29 de novembro de 2008

Dois a dois

Sempre fui
sozinho até
escrevendo os
coletivos não
me aceitam
nem eu
a eles
Minto, minto.
Sou só
como vento
que tange
rasteiro tenta
se apegar
mas precisa
sair ir
a outro
lugar

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Cegueira

Eu vejo amor
em qualquer pedaço
camisas, placas, janelas
reflexos e barcos

Caminho pelas ruas
e só em mim não vejo
qualquer amor
mesmo que escasso

domingo, 23 de novembro de 2008

As luzes da cidade
me aturdem
e se perdem ao longe
sem sentir saudade

Inverno

Meus olhinhos brilhando
vendo teus alegres olhinhos
que miram longe no céu
os amantes passarinhos

Poeminha paulistano

Na Augusta da minha vida
Não achei Consolação
Fui parar na Paulista:
mais um na multidão

Viva, viva, rimei ão com ão, e não tô nem aí. Colei essa porcaria no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Sumpaulo.

Silêncio sepulcral:
Nas mentes, um varal
assim estampado:
M-A-R-A-S-M-O-E-X-I-S-T-E-N-C-I-A-L

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Os cordelistas nunca irão dizer...

meu amor por você
é xilográfico
faço um molde
e espalho tuas curvas
por todo pedaço

mas não se surpreenda
se no molde houver outro corpo
amor é sentimento, menina,
precisa ter rosto?

O céu que nos protege

Porque a gente não sabe quando vai morrer, a gente pensa na vida como um bem incansável. As coisas acontecem num número certo de vezes. Um pequeno número, na verdade. Por quantas vezes você se lembrou de uma tarde de sua infância... uma tarde tão comum mas que você não poderia viver sem ela? Talvez umas quatro ou cinco vezes. Talvez nem isso. Quantas vezes você vai admirar a lua? Talvez 20. E ainda assim parece sem limites.


Que fique claro que o filme - O céu que nos protege, de Bertolucci - nem é bom. Mas esse final, sim.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ainda sobre o "vermelho"

XIX

O amor tingiu de vermelho
minhas dores, meu desespero
fico rubro só de imaginar
quando me olho no espelho

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

XVIII

Meu coração pra você
É como cama elástica
Você pula, deita e rola
E ele nunca despedaça

Mas ouça-me bem
se andar comigo juntinho
verás que aí tem
E num beijo um estalinho
ai ai,
me ama também?


"não resisto
a seus olhinhos

meu coração
não é pula-pula
mas deixo cê
dar uns pulinhos"
(Colíricas, Nildão)

domingo, 9 de novembro de 2008

XVII

da próxima vez que vier
não tinja esse céu de vemelho, meu bem
conjuntivite é problema:
não a queira pra mais ninguém

sei que de ti o contágio
não se pode impedir:
olho nos teus olhos
nem quero resistir

Canção (Allen Ginsberg)

O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação

o peso
o peso que carregamos
é o amor.

(...)

Retirado daqui.
Vontade de ler Ginsberg? Sei lá.

XVI

ímpar:

assim sou, disseram-me
não entendo o elogio
como pode ser feliz
alguém tão sozinho?

Versinho da madrugada, de novo*:

XV

Nunca sou por inteiro
Sempre falta um pedaço
Acho que sou a falta

* postado anteriormente no twitter.

sábado, 8 de novembro de 2008

Declarar-se é como jogar o sentimento que nem uma batata quente na mão da garota. E ela fica sem saber o que fazer, com aquela batata quente na mão, jogando de um lado pro outro, até que, quando ela estiver pra estourar, joga de novo em você.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

XIV

hoje joguei muito fora
pedaços de vida
felizes outrora
lembranças agora

nessa ida
não pode quem chora
se o verbo vigora
pra que lamentar?

vida de memória:
guardo muita coisa
mas pra que recordar?

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

XIII: Subversão e dispersão

o amor vem a galope
nos desfere duros golpes
e se deixa perder pelo chão

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

You don't know me, bet you'll never get to know me

Mora na filosofia
Pra que rimar amor e dor
Se seu corpo ficasse marcado
Por lábios ou mãos carinhosas
Eu saberia, ora vai mulher,
A quantos você pertencia
Não vou me preocupar em ver
Seu caso não é de ver pra crer
Ta na cara

Mora na filosofia, Caetano Veloso

***

I've done this before
And will do it again
C'mon and kill me baby
Whilst you smile like a friend
And I'll come running
Just to do it again.

Like a friend, Pulp

terça-feira, 4 de novembro de 2008

XII

essa lua minguante não nega
a fé do homem é cega
e o que impera é a escuridão

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

nenhum verso no bolso

...e cadê o versinho que estava aqui?

sumiu
foi com o vento
tinha algo mais útil a fazer:

a moça o viu
e nesse momento
o versinho a florescer

a moça era o vento
a mim, só o relento

- para não esquecer: XI

(sério, eles sumiram. festa dos palavrões na minha cabeça.)