terça-feira, 30 de setembro de 2008

Blá, blá, blá

Uma semana se passa e o que vejo? Não tenho idéias boas, minha gente. Se eu me propusesse a escrever estória, ou sei lá, conto ou qualquer coisa, sairia uma porcaria. Daí que eu escrevo esses textos apaixonados que, como disse uma amiga, começam do nada e partem a lugar nenhum.

E a cada vez que me proponho a escrever qualquer coisa mais estruturada, que não explore apenas os limites do eu, quebro a cara. Quando é seriamente, então, sobressai-se a falta de talento. E ora, o que mais eu acho que sei fazer, se não escrever? Nada.

Ventania nesse campo vasto e vazio que é minha cabeça. Vento não é tempestade, antes fosse, assim remexia as estruturas limitadas que estão pelo cérebro.

Fato é que se eu depender do que escrevo, morro de fome. Então, isso tudo deveria ser apenas diversão, de mim para mim mesmo, e quem achar divertido também. Mas não é.

Agora é que ficarei no mantra: sem crise, sem crise, sem crise, sem crise...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Tem uma música do John Mayer, feita para o irmão dele - assim eu soube de uma fã dele e nunca procurei saber se era verdade -, chamada Lifelines.

É uma coisa estranha essa música, tem qualquer coisa de familiar que me prende e de tempos em tempos eu ouço, por pior que seja a qualidade da mp3. E a letra, ora, ela me parece tão verdadeira...

You saw me sleeping on the couch tonight,
I know it serves you right
Makes you luckier than I
All the colors in the room have changed
Compared to yesterday
But brother I've discovered you

We're pushing on
We're passing through
And it wont be long
'till I walk with you
Tonight I'm down
I'm inside out
Staring at the pictures in the album you forgot about

And isn't it a shame
times have changed
But isn't it strange
Lifelines stay the same, the same


We're never where we want to be
That's okay with me
That's just the way it is, they say
It feels like make believe
That you're my history
But brother I've rediscovered you and

(...)

round and round
I can't believe my heart has waited this long
All along, we've been children in a cold world
Where wonder was lost, every day
and if love was a compass
Oh, I've lost my way


Ok, então, ninguém acha John Mayer grandes coisa, nem eu, para ser franco. Mas essa música é... é o que, para mim? Como diria alguém a quem tenho muita afeição, é "purê de coração".

Pronto, é isso: sou brega e com orgulho.

domingo, 21 de setembro de 2008

"No canto do cisco, no canto do olho..."*

Ei. Quando sair, pode deixar a porta aberta? Não é medo do escuro, não me entenda mal. Só não quero que você se perca deixando aqui esse vazio, deixando a dor nascer no horizonte e despontar nesse vão que vai se formando pouco a pouco, desde os primeiros raios de sol até o fim da tarde, essa luz horrível preenchendo o meu quarto, ora, que quarto? Eu só falo é do meu coração, e eu continuo dizendo coisas estúpidas sobre coração.

Continuo gelando a cada vez que você aparece e torcendo para que essa porta não se feche, de repente. Há, afinal, uma porta, não há? Não me diz que só existe esse poente infernal a encher-me de suor e cansaço, a fazer meus olhos doerem, ofuscando você. Então, eu rezo para te ver. Fé é uma coisa engraçada, não é? Parece que eu vou ser sempre esse rapaz a crer, desacreditando. A ter esperanças e enganar-se na consciência de que não, nada vai acontecer.

Se você reaparecer como antes, em circunstâncias misteriosas, como se aquele encontro realmente tivesse um significado maior, além dessa risível alegria que me perturba a cada pensar que "a menina dança, e se você fecha o olho, a menina ainda dança...", só não se esqueça de ficar aqui comigo pelo eterno estéril que eu inventei para nós, está bem?

Menina, quer dançar só para mim?


* A menina dança, Novos Baianos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Abstraindo Eco

Eu te via atrás da tela, espelho disforme.
Atrás das letras, dos signos e significados.


Estou sempre falando de espelhos sem forma - e na verdade não sei exatamente o que eles são - e abstraindo involuntariamente de textos teóricos chatos. Normal, certo?

Umberto Eco é um sujeitinho repugnante. E tenho dito.

sábado, 13 de setembro de 2008

Conclusão tardia

Percebi que prefiro a poesia
ao segredo
A alegria espasmódica
ao medo

Eu olho a mística dos teus olhos
Como quem contempla um espetáculo divino

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Retirado do blog Esquizofasia.

Tudo a ver com o novo tema do blog. Tudo a ver com o post abaixo, o texto de minutos atrás.

Dez anos

Eram apenas dez anos e toda uma vida pela frente que já parecia meio abortada.
É verdade que nunca me senti normal. Os garotos, de modo geral, todos evoluíam. Todos com seus amigos, sempre um novo a cada verão, e eu, onde estava?

Eu corria, mas a vida corria mais rápido de mim. A vida era uma pipa no céu e eu, menino desengonçado, não sabia empiná-la. A vida, uma bicicleta enfurecida, e eu a andar nela sempre de rodinhas.

Hoje eu sei como aquelas paredes brancas de mais de vinte e cinco anos, sujas pelo tempo e pelas lembranças, tem algo de mágico. Naquela casa que deixei, a vida que não era se fazia real, a solidão se despia e era bela, todos os meus amigos apareciam. A solidão nua era colorida, e dançava sobre mim, levando-me no sonho de papel ao infinito. Ali eu brincava de viver ou vivia de brincar?

Por vezes, em mim uma lágrima caía, enquanto a chuva intempestiva irrompia naquela casa aos berros e a solidão era feia e dessaturada, pinga-pinga na pia. Era um choro quase mudo que eu ouvia e ecoava em mim. Aqueles gritos e o pinga-pia em quatro paredes, claustrofobia. Era um pássaro preso, minha mãe querida.

E aqui - não tenho mais dez anos - eu sinto a vida como um pássaro raro. Posso vê-la vindo no horizonte, com o mesmo olhar de criança de antes. Não sei, mas algumas coisas nunca mudam. Sou ainda aquele menino, mas perdi a velha inocência. Hoje a vida me acena de longe e faz que quer conversar. Me sinto velho e cansado, mas corro com a mesma força de antes em sua direção, gaiola à tiracolo, mas ela só se deixa prender quando quer. Pássaro raro - bem me quer, mal me quer.


A solidão hoje é líquida e transborda, mas pede para ficar. A solidão é uma tartaruga que em mim habita.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Long Play on this old old road that is my heart...

Vejo que o céu está desferindo seus últimos raios. Sim, ele solta raios quando está feliz, quando me acaricia antes da treva vir.

A luz laranja beijava sua face e voava para mim. Os céus, ora, adivinham mesmo os encontros felizes. Era isso que queria lhe dizer, menina, da outra vez que conversamos. É hora do Sol se por, mas que Sol? Olho-te nos olhos, e sei que há algo reservado para mim no brilho que irradia deles.

Vejo uma núvem e tenho medo. Que o acaso pregue peças e pequenos jogos de amar entre eu e você, acho até bonito. Que me deixe a ansiar por você em vão, a olhar em direção às linhas tortuosas do horizonte, ao ar alaranjado e quente que se forma nessa falta, não. Que me deixe à espera de que ele, o acaso, nos reúna, não.

Então, nos reencontramos de novo, e o que você me diz? Leio no seu olhar um "sim", mas como saber? Se eu nunca soube dessas coisas mesmo... Sobre a solidão, sim, isso eu sei. Mas agora eu peço que você me ame. E que essa luz alaranjada, que esse céu de setembro a fazer coro ao que sinto não esteja mentindo.

Se o céu e os astros fossem dissimulados, em que mais a gente poderia confiar nessa vida, Luísa? É bonito de ver que eu voltei a ser quem era, e você também voltou a ser. Você finalmente tem nome, e talvez esse reencontro não seja simples conspiração do acaso. Instantaneamente eu deixo José para trás e volto a ser Pedro. Deixo de ser homem e volto a ser menino por você.

Afinal, há de haver sempre um astro sob o signo de minha vida, a me sussurrar a direção invisível das estrelas, do encontro, do crepúsculo. Há de haver os raios de outra manhã, em que se monte esse quebra-cabeças louco que somos nós, envoltos nas nuvens do céu.

P.S.: Já fui José, depois Pedro, e então José de novo. É engraçado que quando vi no blog de André Takeda uma estória do casal Pedro e Luísa, relembrei de mim, quando, por mera coincidência, assim escrevi: "Vamos aos fatos. A mulher que Pedro idealizava não era ninguém tangível, nem mesmo tinha uma imagem fixa. Era como uma canção louca, afinando e desafinando, mudando de tom e de ritmo bruscamente, afigurando-se e desaparecendo. Ao passo que conhecia Luísa, ela o conquistava, tornando palpável aquele seu ideal, mas escorria de seus braços como água. Amava-a devotamente e percebia que esse sentimento crescia desmedido. Era como se fosse destinado a amá-la, porém não acreditava em destino. Gostava de encarar a vida como fruto de felizes e infelizes acasos. Por ventura, conheceu e adentrou aos poucos na vida de Luísa e por ventura nela permaneceria. Do futuro, nada sabia. Gostava da idéia de haver um amplo horizonte de possibilidades, mas odiava o caráter brusco e mutável dos acontecimentos. “De um beijo, posso ir à lama, eis o mistério que me corrói”, ponderava Pedro."

domingo, 7 de setembro de 2008


Quem tiver feito esse desenho - não sei quem é - é genial.

Mudei a descrição que o blogger "pede" daqui. Agora é: "decadência poética. prosaísmo nonsense. brega pop. hedonismo e estoicismo."

Em textos simples, nunca sei o que dizer. Gosto mesmo é de falar aos ventos.

sábado, 6 de setembro de 2008

Sim, sou brega

Acho música em frânces na maioria das vezes uma breguice total. Então, não me permito gostar de muitas delas. A questão é que sempre tem algo que eu sei que é brega, mas gosto muito. Tem coisa mais brega que o amor? E há outro tema nesse blog que não seja amor? Só raramente.




Hoje eu olhei meus vídeos favoritos no orkut e lembrei de quanto eu gosto dessa cena do filme "Em Paris". Não deram muita bola para esse filme, mas eu o achei muito belo, de tal modo que o dueto - em breguês, ou seja, francês - não saiu da minha cabeça durante dias. E ainda gosto dele com a mesma intensidade. Como não sou poliglota e, acredito eu, nem a maioria de vocês, segue-se aí a tradução da letra, muito bonita:

Avant la haine (Antes do ódio)

Ele:
Saiba, minha linda, que os amores
Os mais brilhantes se sujam
O sol sujo do dia a dia
Submetem-lhes ao suplício

Tive uma idéia inadequada
Para evitar o insuportável

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Vamos terminar, por favor

Ela:
Não, eu te beijo e isso passa
Você bem sabe
Não se livre de mim assim

Você acredita que vai se sair bem dessa
Me abandonando ao léu
Do grande amor que deve morrer
Mas você sabe que eu prefiro
As tempestades do inevitável
À sua pequena idéia destrutiva

Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto
Você diz para terminarmos

Ele:
Mas eu te beijo e isso passa
Eu sei bem
Não me livro de você assim

Ambos:
Antes do ódio, antes dos golpes
Dos assobios e dos chicotes
Antes da pena e do desgosto

Eu poderia evitar o pior

Mas o melhor está por vir.

P.S.: resolvi o problema do blog, acho. Quer dizer, pelo menos eu gostei da mudança que fiz. (:

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Futilidades

Esse blog curiosamente fez um ano em 31 de agosto. Eu o mantive paralelamente ao Do Asfalto (que me deu uma saudaade dia desses) até decidir adotá-lo de vez, por preferir o nome, o nem tão bem sacado (mas o melhor que pude pensar até hoje, acho) trocadilho embutido, e decidir unificar duas idéias que não levariam muito mais longe em uma, que também não está bem sucedida. A primeira, sem sucesso, era fazer pequenas crônicas sobre coisas comuns. A segunda, poemas, feitos sem qualquer cuidado ou excesso de pensamento.

Fato é que as duas idéias convergiam mesmo: a necessidade de escrever sobre mim acabava gerando uma prosa-poesia horrível, mas até que bem sincera. E fato também é que o Do Asfalto, apesar do nome, era muito mais bem cuidado.

Pensando agora, vi que não gosto desse azul de fundo, não gosto desse logotipo, não gosto do subtítulo (o pior de tudo é isso, acho), enfim, o layout é uma porcaria. Pensei então em fazer uma "greve" até consertar tudo, mas do jeito que as coisas vão (ando cada vez mais ocupado) acabaria largando o blog.

Decidi: pelo um ano de postagens, vou dar uma melhorada em tudo aí. Eu ia mudar de blog (pra variar, nunca fico em um), mas resolvi que não, gosto do nome, e alguns textos têm valor afetivo para mim - é bem claro quais são eles. Enfim, até uns dias (?).

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Minha vida era um palco iluminado
E eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do Sol a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher, pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional.
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão

O poeta brasileiro Manuel Bandeira costumava dizer que o verso "tu pisavas nos astros distraída" era o mais belo da língua portuguesa.

Manuel sabia das coisas.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O instante decisivo

Ela prostrou-se de lado para ser fotografada. Olhava a lente percorrer suas asas, que asas?

As asas feridas, centros de gravidade de sua vida, ela escondia do mundo, mas não do fotógrafo. Para aquele clique, resolveu transbordar a essência do que havia em si. A beleza das tardes pensando em manhãs felizes que nunca ocorreram. A pureza das noites mal-dormidas, pensando no rapaz, aquele rapaz atrás das lentes. Não era pela arte que ela se desnudava ali, era pela sua vida. Era o amor que queria nascer, mas não podia, botão de rosa murcho, haja sol para fazer florescer.

E no instante do clique, fez-se a mágica. Ainda não se sabe o que houve, como se um excesso de luz se instalasse, ofuscando a fotografia.

Era a vida que pedia passagem, e gritava pelo seu estatuto de arte - "instante decisivo" é arte menor. E eis que a cegueira do fotógrafo se curou: em um passe ele resvalava a face da mulher, beijava-lhe os olhos e a nuca, fazendo-a se contorcer e suspirar.

A manhã fez-se material e o filme que havia queimado, registrava sozinho cada quadro. Era a memória de mais uma cena de amor estranha a todas as outras, verdadeiro "instante decisivo".

A vida, essa fotógrafa endiabrada.

Distração semiótica para a Semiótica

A minha prolixidade
Arde
Bate-bate sem fim
A querer alongar-se além
do palpável
O irrisível, inacreditável
- Ridículo.