domingo, 27 de julho de 2008

Dos poemas que eu queria ter feito...

mas não sou poeta.

Eu tenho idéias e razões,
Conheço a cor dos argumentos
E nunca chego aos corações.

***

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.
Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa.

...

O último post foi mais constrangedor que qualquer texto egocêntrico que eu coloquei aqui.

É, não tem jeito. Só sei falar de mim mesmo.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Propagandas que vão mudar o mundo

A onda das propagandas ultimamente é ser filosófico ou poético. Já viram aquela da Natura, que foi parar nos vídeos favoritos de profiles no Orkut de muita gente?

A rotina da pele não é o arrepio. Do pé não é a dança - é o andar. Acontece que, como propaganda, isso colou muito bem. As pessoas gostam de mentiras, de pensar que "toda rotina tem sua beleza", quando, na realidade, as coisas descritas simplesmente não são "rotineiras" em vidas normais.

Não, e aquelas da Nobel, de tom "questionador"? De "vamos fugir do óbvio, das mulheres de biquini e gente feliz bebendo, incluindo algum ator de novela. Mas como faz, então? Ah, joga umas pessoas falando coisas que parecem inteligentes, para ver se a gente forma um público culto e elitizado". E o cara de uma das propagandas é assim: o pé grande playboy. E posa de "eu acho que filosofo", pensando sobre os relacionamentos. Ridículo. E wow, quem se importa com a cerveja? Boa ou ruim, o que influi é o teor de álcool, não a marca*. Já na outra, a mulher é a descolada beberrona. Ok que ela transe no primeiro encontro (e esqueça a opinião da sociedade). Mas o que isso tem a ver com cerveja? Hein? Seria essa a marca dos descolados? Pff.

É, né. Não dá pra ler. Clica.

A tal cervejaria parece querer um segmento específico: pessoas que pensariam como esses dois. Mas, sinceramente, não convence. O pior é ver tais vídeos igualmente favoritados. Publicidade gratuita é boa desde quando?

Cadê as propagandas de cerveja sem álcool? Lei seca, minha gente!


*É mentira. É, eu gosto de uma mentirinha boba, também. Enfim, o fato é que a marca influi. A ressaca do dia seguinte que o diga...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Insustentável II

Andei lembrando do tempo que as coisas me inspiravam mais... e eu escrevia sobre elas e sobre a vida. Ah, há dois anos atrás eu quis ser escritor, ou coisa parecida. Se ainda quero? Eu só sei que vivo e nunca estou satisfeito. Talvez simplesmente eu não queira as coisas com a intensidade devida, ou não saiba o que quero exatamente. Eu sei de uma coisa, apenas: quero viver. Não falo de continuar vivendo, falo de agarrar essa louca desvairada com as mãos e dar-lhe boas chibatadas, espancar essa masoquista maldita que é a vida.

Se estou com raiva? Não, não, é impressão. Talvez eu sempre tenha sido assim, simplesmente... como posso dizer? Difícil.
E talvez eu prefira meus tempos mais sonhadores, quando me vencia mais facilmente e a vida era mais leve. Tento buscar em que ponto me perdi, mas acabo me perdendo em cada esquina, em cada sorriso antigo, em cada recordação desbotada de uma vida que não deveria estar sendo desconstruída assim - vide título do blog.

E talvez seja mais fácil buscar personagens e preenchê-los de sentimentos genuínos e não necessariamente meus. Ou quem sabe são totalmente meus, e ele - o personagem - apenas um disfarce?
Talvez - e esse é o último talvez - eu precise de máscaras, precise me esconder de mim, para me achar.

Looking back...

over my life
(...)
I can see love
turned to hate

And I know
Yes, I know
I'd never make that same mistake again...

Looking Back, Ruth Brown.
Parte da trilha sonora de Um Beijo Roubado, o bom filme que me deixou um pouco aturdido, apático, ou sei lá como dizer.

Mas eu entendi as coisas e o filme. You know, I'd never make that same mistake again...

P.S.: piadinha super original: José Dias se juntou ao Padre dos balões. Usar gps como fäs//...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Quem vai dizer tchau?

José estava feliz, porém sobranceiro. Dentro de si, sentia que algo mudava. Sentia-se leve, enquanto olhava as estrelas. Pôs seu olhar no vermelho. Era o sangue do mundo a escorrer, desvanecendo-se em azul, e essa visão pareceu acalmá-lo. Um dia José olhou para o mundo e viu o azul sumir em negro, e um nó ficou preso em sua garganta. Mas hoje ele se sentia livre. E, pensando, não se deu conta de como as estrelas pareciam mais próximas e brilhantes. Não viu que elas pareciam cristais no céu, e piscavam para ele, dançando continuamente na extensão sem fim. E então José percebeu que tinha se tornado parte do universo. Que o mundo e todas as pessoas eram bonitas, resguardando em si toda complexidade e contradição, mas, no fim das contas, ele não tinha nada a ver com elas.

Na leveza que sentia, José olhava-se espantado. Como podia levitar? Em toda sua vida, nunca pensou em voar, nem mesmo andava de avião. Passava horas olhando a lua e as estrelas do céu citadino desde criança e sentia-se feliz por isso, sem saber por quê. Agora ascendia aos céus e tudo ficava claro, muito claro, porque as coisas eram mesmo várias, confusas e loucas. E José sentia que tudo agora fazia sentido, porque nada mesmo importava. Porque ele se tornava parte de algo maior, que o aturdia, mas o agradava como nada nunca o fez na vida. Percebia sua estrela nascer e sua matéria incandescer, mas nada fazia. Nunca se sentira tão feliz em vida. Via o Sol e sentia alegria, porque finalmente enxergava que o Sol não era vermelho e, sim, oh, aquele sol finalmente era o verdadeiro e majestoso, e não alguém que o substituía.

E ele ria, como nunca. Lágrimas desciam pela sua face, e como era lindo observá-lo lá no alto, sorrindo e se despedindo da Terra. Pontos brilhantes se espalhavam pelo céu e a maioria das pessoas não entendiam o que era aquele espetáculo que lhes escapava à compreensão, pois não o observaram desde o início. Mas eu, que o vi nascer, pude distinguí-lo ali, no meio da nebulosa em que se tornara, encontrando a merecida paz. E eu pude ver tudo isso, mais do que qualquer um, porque José era uma parte de mim que se despregava e expurgava seus fantasmas, e eu, aqui da Terra, pedia que ela mandasse uma mensagem às estrelas. Dissesse que elas eram tudo que eu jamais pensei querer na vida, que eram mesmo muito belas, mas que eu ficaria aqui. E continuaria vivendo, não com a mesma intensidade de José, mas talvez com a mesma maestria, com todo o desprendimento, e, quem sabe, com alegria.

Último surto "emo"

Last night I dreamt
That somebody loved me
No hope, no harm
Just another false alarm

Last night I felt
Real arms around me
No hope, no harm
Just another false alarm

So, tell me how long
Before the last one?
And tell me how long
Before the right one?

The story is old - I know
But it goes on
The story is old - I know
But it goes on

Oh, goes on
And on
Oh, goes on
And on


Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me, The Smiths. Não ouço The Smiths, não gosto deles. Mas tenho que admitir que essa música é simplesmente incrível. Se não conhecem, ouçam. Se conhecerem, escutem a versão de Grant-Lee Phillips, que eu ouço mais. É muito pior que emo, eu sei. Aliás, não entendo porque associam música emo à tristeza, se a maioria acaba sendo alegrinha demais. Essas bandas não sabem sentir, todo mundo sabe disso.

Talvez eu saiba um pouco mais.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Conversas pela madrugada.

- "Banda de laranja. Parece que a "grande faca do destino" fez um trabalho tão ruim... como pôde estraçalhar as metades de tal forma que nunca se encaixam?" (original aqui) Adorei!

- Como, se você já achou sua metade...?

- Deixa eu terminar de ler! ... Gostei, de verdade. Esse amor é chuvoso e temperado, deveras. "Você é a garota mais interessante que já vi na vida. Eu sei que você não é assim. Você não tem forma. Você é um espelho disforme, a banda perdida da laranja que nunca existiu. A cada vez que tento te alcançar vejo como sou idiota. Afinal, não amo você. Amo a idéia que eu tenho de você, que nada tem a ver com você. O que mais assusta, enfim, é que você saiba disso." (original aqui) Que idéia você criou dela, José? Me explica melhor?

- Bem... eu a acho muito bonita, Clara. De todas as formas. Mesmo que eu venha me decepcionando aos poucos...

- Prossiga... estou ouvindo com muita atenção.

- Sabe? Mesmo que eu sinta raiva às vezes, mesmo que eu não deva gostar dela... eu a amo e amo. Enfim, ela seria um desses amores que parecem quietos, mas que guardam em si a tempestade que eu queria para minha vida.

- Ohhh...

- Ela... simplesmente é diferente. É sensível e de um olhar que atinge fundo... e em cheio. E faz você querer olhar de novo. Enfim, é aquela, atualmente, que eu queria fazer de tudo pra fazer feliz. Porque eu realmente a acho especial. Realmente amo os olhos castanhos e grandes. E não porque são castanhos e grandes, mas porque são mistério. Aliás, ela é toda mistério - tudo que eu sei sobre ela tem lacunas. E o mistério me atrai tanto quanto...

- ...essa declaração foi, sem sombra de dúvidas, a mais bonita e sincera que já li. Meus parabéns, você tem um amor de ouro.

- ...e eu estou desmontando aqui. Agora você entende por que não posso continuar sentindo isso?

- Sim, entendo muito. E como pretende parar essa tempestade?

- Não sei... Estou à espera de outra. De alguém que me encante assim.

- É uma boa. Deu certo demais comigo. Você precisa conhecer muita gente, José. Assim acaba conhecendo uma laranja inteira, que quando te vir, se partirá em metade.

(Parte III de "José Dias"? Talvez.)

terça-feira, 1 de julho de 2008

A vida é um poema ruim

Recentemente, reli todos os poemas aqui publicados. Odiei-me ao lê-los, vi o ridículo que sou e a falta de talento nos versinhos infantis.

Mas vi uma frase que só me lembrou do meu antigo ideal para esse blog - local para postar poemas que fazia no ano passado (fiz alguns ainda nesse ano, mas nos últimos meses tenho poupado a blogosfera de mais tosqueira). Eu criei uma categoria de posts, que está ali ao lado - decadência poética. Um dos meus posts foi: A vida é um poema ruim.

Foi interessante o que encontrei hoje. Uma frase de Oscar Wilde, autor do Retrato de Dorian Gray e outras obras (mas eu só li O Retrato...): "Toda poesia ruim brota de sentimentos genuínos. Ser natural é um convite à obviedade, e ser óbvio é ser totalmente não-artístico."

Acho que, pelo menos, de um mal (ou bem?) meus poemas não padecem: falta de honestidade.