segunda-feira, 30 de junho de 2008

Menina má.

Pensei em um dia diferente. Seria simples e lindo, mesmo que chovesse e o céu despejasse seus mais intempestivos raios... O que não ocorreu - ameaçava chover, mas o tempo estava majestoso.

Não que fizesse aquele sol praticamente opressor no cotidiano e senhor da beleza das manhãs despreocupadas. Mas parecia tudo conspirar a meu favor... exceto ela.
Larguei de mão meu desalento, minha decepção. Ela não é quem eu pensei que fosse. Ninguém é. É certo que isso é o que a vida nos guarda como a verdade soberana e a chave de se relacionar... mas é fácil falar que se é ciente disso. Difícil é lidar com as pessoas. Difícil...

A felicidade inspirou-me num ímpeto inebriante de sufocar-me com seus beijos e carícias docemente... docemente...
Infantis. Fogem-me as palavras...

É Dor. Aquela que se sente calado, que desata a doer repentina, embora aquiete-se face às obrigações que matam o jugo do homem sobre sua sina.
Mas, contra a desilusão que me embriaga, lá estava, radiante, a estrela menina. Brilhava em seu peito, como lua no sertão - que só vi em foto, uma pena.
Naquela dia eu seria rei. De mim... e sobre o tempo - crono e psicológico. Sabe-se lá como...

E por ironia do destino, ou qualquer fragilidade infantil... vi tudo em cacos. Desilusão, desolação... Não. Já sou crescido o bastante para entender-me como um nada, um ponto sem nó, pateticamente de mínima significância diante da escala - mesmo a microcósmica - dos acontecimentos...

Também não desatino em queixumes... de ser só um menino. Com casca de gente. Que se sente gente. E nem sabe sê-la.

Não guio o mordaz e veloz destino. É fácil não conduzí-lo, que fique claro. E humanamente impossível controlar este intangível que se materializa sobre você e por vezes oprime. É a dúvida, a fraqueza.

Não sei por que não me desvencilho disso tudo.
E dela. É verdade que guardo um afeto que abrupta quase sempre em sua presença. Quase.

É estranho essa coisa de sentir, de que tão pouco sei. Não fui alfabetizado nisso - sou do século XXI, e acompanho as patologias mais modernas, que se adequam àquelas velhas de comportamento. Isso explica porque estou escrevendo isso frente a um computador, desperdiçando meu tempo tão mal esquartejado - na verdade, queria cortá-lo menos ainda, queria deitar no chão por horas e poder jazer ali, assim. Sim, acho que sofro de algo... como muitos podem padecer de coisas piores do que esse meu mal quase... idílico. Que, compreensivelmente, não cessa. Porque não aprendo. Perco-me em idéias, fatos... e passado, no meu breu. No breu que faz aqui, e no frio que sinto nos dedos que digitam sem cessar.

Escrever tornou-se uma espécie de catarse, mas não uso as palavras certas. Não tenho qualquer segurança de mim, minha personalidade e minhas decisões.

Não me compreendo - insisto em pensar-me como um enigma. Se eu o fosse, seria o mais ridículo e enfadonho possível. Porque consigo sentir-me feliz ao lado dela, a minha menina. Minha doce criança.

P.S.: O texto é velho e mesmo muito mal escrito. Postei só para ver se me vem um incentivo a continuar escrevendo. Quem sabe, dessa vez...

Yo no creo en camiños...

Acho que sou o tipo de pessoa que nunca esquece aquilo que é. E odeia, ah, como detesta ser.

Cheguei à conclusão de que me odeio nesse blog. Talvez por isso, não consigo escrever nada mais aqui. Ou talvez seja porque eu simplesmente não tenho que seguir a mesma linha pseudo-literária que - antes naturalmente - seguia.

Vou preferir, pelo menos uma vez, os caminhos tortuosos. Ah, se vou.