terça-feira, 25 de março de 2008

Cenas dos últimos dias

I


"Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro
E aguava o bom do amor"



II


Se a vida é esse moinho louco e os laços entre as pessoas podem se desfazer de uma hora para outra, é preciso que se tenha uma vontade grande de fixá-los ou fazê-los ir adiante e além. E isso eu tenho, espero que você também.



III


Éramos eu e um vaso azul-turquesa. Ele olhava para mim, fulminava-me com sua falta de olhos, e sua total falta de graça. Minhas vistas turvavam-se. Sentei-me no chão enquanto olhava as estrelas no ar, tentava tocá-las e me sentia triste. Vaso, eu, vaso, eu, vaso. Vaso. E algo que escorria sem precedentes, até que toda a dor fosse embora. Então, levantei-me e pedi para esquecer o que houve. Mas não se esquece o que se quer.



IV


"Dentro dos meus braços os abraços
Hão de ser milhões de abraços apertado assim
Colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim (...)"



V


"Você a encheu de palavras e palavras que, no fim, não possuem qualquer sentido para ela. Você não deu um sentido às palavras ao encontrá-la, você é um cara esquisito demais. Estou certo de que o pior te espera. (...) Você é, sobretudo, inadequado. E vai sofrer tanto por isso. Porque é um idiota (...), um burro mesmo. E quem souber da sua história e do que sente, te achará patético, Pedro. Patético."



VI


"Nothing's gonna change my world
Nothing's gonna change my world (...)"

terça-feira, 11 de março de 2008

Sobre Pulp

Different Class (1995) é nostálgico e pode provocar um pesar pelo rumo que tomam as vidas, uma dor pela drástica diferença da vida atual para aquela que foi imaginada um dia. Não é uma banda que faz o tipo de música matadora, que emociona com maestria ou sensibilidade notáveis. Mas as músicas de Pulp suscitam uma saudade de um tempo que nunca existiu, uma saudade do tempo escolar, das dúvidas, do turbilhão de sentimentos vividos e da infinidade de coisas não feitas, planejadas ou não.

São músicas simples, com letras inteligentes e sensitivas, com uma guitarra pungente quase o tempo inteiro, um vocal não tão eficiente, de voz inadequada e, por isso mesmo, incrível, porque sentimos que podemos cantar as músicas e sermos nós, sermos a porcaria que somos, exibir o tosco timbre que (com algumas exceções) temos, amargar copiosamente o passado, o presente e até o futuro.

Pulp dá uma saudade dos anos noventa, uma vontade de ter sido adolescente naquela época e não nos malditos e moderninhos anos 00. Uma vontade de ter pensado em como seria o ano 2000.

Uma vontade de sussurrar e criar coisas interessantes e loucas. Pulp é vida pulsante, é inexplicável. Creio que foi um grande erro a banda ter acabado.

Se depender dessa foto, é possível que ninguém concorde comigo...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Das poesias impublicáveis

Sou um sujeito muito crítico. Auto-crítico, na verdade. Declaro impublicáveis muitos dos poemas que faço. Publicável, no fim das contas, tudo pode ser, mesmo que seja grotesco - senão as coisas toscas não existiriam para nos fazer rir.

Os poemas que produzo são sempre desejos. Tenho um apreço excessivo por aquilo que ainda não tenho. Então, se não podemos ter tudo, o que há de errado em desejar? Ou em sonhar? Dentre tudo que quero, eis meu mais forte "sonho" no momento, por mais pesado que a palavra sonho possa soar:


"Es muss sein"

Ser a tua pele
o teu suave perfume

Tatuagem
cobrir-te nua
absorver a essência tua
ser-te, enfim

Seremos um
Enovelados, um cataclisma
torvelinho irrisível
felicidade contagiante
no fim dos tempos, olha

Seremos sim
com a tua pele na minha
face a face,
encontro de águas
tu, doce,
eu, salgado

Sou-te, assim
E tu me és
e por esse viés
Tu olhas-te em mim

E vês que és bela
Mas não és boneca
Menina, não somos de moldes
somos o nosso padrão

Ser o surreal
Sentir tua minha perna
Afogar-me em teus quase tão meus braços

Não pertences a mim
Mas sim, sou teu
mesmo que não saibas



segunda-feira, 3 de março de 2008

Primeira aula de Teorias do Jornalismo

- E aí, o que você lê assim que pega um jornal?
- O que mais me interessar, depende da hora...
- Como assim depende? Ao meio-dia você lê Culinária?

Ha-ha-ha-ha.