quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Keep walking

(...) People pretend that they don't know that a life depends on the other lives. We pretend so many things... as we dream with things we can't reach - "impossible things", some people say. "Impossible is nothing", says Johnnie Walker. "Keep Walking" is not too difficult. But I don't believe this fuckin' trademark, Johnnie Walker. What do they know about life? They just know about selling drugs to people who, in fact, don't need them, but pretend that need. In this time, I wonder if you're thinking: "what do you know about life, fucking bastard?"

Well, my brother, I probably know less than many people but more than you could imagine. You don't know me. We probably never will meet. Just like 6,5 billion in this world. It's nice, you know. I can write to people that will never see my face. Never.

But what if people that I know read this? I think I'll get embarrassed. Damn this. I don't care. 'Cause people just think they know me, but they don't feel what I feel, they don't live my life! So, they should shut up.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Janela da alma

Não sei o que é isso que se passa em mim. Como uma angústia desatinada, prendendo-se, aumentando o peso da alma. Quem disse que o espírito é leve? Quando pesam todos os dissabores inúteis. Ou fúteis - não se pode julgar. Somos todos juízes e réus. Uns mais, outros menos.

Mas não quero mais esses olhos todos sobre mim. Desaparecer: coisa impossível. Nem se eu fechasse os meus olhos julgadores, meus maldosos olhos.

Quando ouço a música, são retiradas incrivelmente muitos quilos da massa de gordura da alma. Ah, a minha sedentária alma... Que cor tens, de verdade? Que brilho? Que tamanho?

Tu pareces desbotada, de modo que não te reconheço. Sempre foste taciturna, sempre gostaste de fazer caraminholas, de andar por vielas sem saída. Mas nunca consegui ver exatamente quanto medes tu... pareces pequena, ó poeta. Observo-te como alguém nas núvens, em algum tipo de estado surreal. A chama minúscula que tu preservas... por que não a usas?

Para que serves tu, se não te usas? Se não aproveita a tua estadia, tua travessia por este mundo inconstante. És tu a menos esperta? Eu queria afogar-te agora, nesse instante. Quem sabe assim tu percebes que a vida não nos foi dada à toa. Mas só consigo afogar-te em música.

Música: é a tua linguagem? Código celeste redentor?

Como saber? Mas vejo que ela te anima, como te aquece, por mais que te machuque. Verdades não doem. O código mandas-te viver. O imperativo maior de todos: ser-te por inteiro, revelar-te, desatar-se em várias canções. Ser uma canção. Um mergulho em puro ar, um acordar sublime, um sol a iluminar-te. O que fazes tu? Estás aí, apática. Diria até que pareces amarelada, se meus olhos enxergassem tua cor. Mas toda alma tem uma cor própria, vais encontrar a tua. Pode ser um vermelho estridente ou um roxo... Não sei, mas até tu sabes que não podes ser amarela. Nada contra orientais, por bem dizer: a cor da pele nada tem a ver com a cor da alma.

Alguém diria-te que és do tamanho dos teus sonhos. Mas que infâmia. Como se mede um sonho, se é alto ou baixo, grande ou pequeno? És somente mar, imensidão ao horizonte. Só tu não vês, já que estás cega... Ou não criaste olhos? Os olhos da alma seriam os que enxergam mais, de uma forma inefável, tu já deverias entender isso. És uma porta, uma espécie de burra.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Voltando a divagar...

Eu não tenho inteligência literária. Não tenho mesmo. Talvez por isso tenha lido tanto ultimamente. Talvez esse gosto por escrever seja algo que inventei para mim, como uma brincadeira. Uma espécie de experimento adolescente, "até onde eu iria?" - era o que eu pensava. Assim, tentava escrever com a alma, com o coração. Mas quem sabe não seja esse o maior pecado dos meus textos: a falta de uma essência sincera neles. É como se usasse palavras incomuns para disfarçar o meu vazio (tento não fazer isso agora). O abismo que há em mim ou minha falta de talento definitiva. Constato isso quando leio os grandes mestres. Nunca escreverei como Julio Cortázar ou Milan Kundera. Não sei se isso é mesmo um talento inato, mas pareço não ter nascido com "a manha" de escrever. Tudo o que faço soa como extremamente pueril. Usar a palavra "pueril", afinal, só demonstra o quão culto eu quero aparentar...

Para ser franco, não sei se tenho consciência de que quero passar essa imagem, ou se quero mesmo inconscientemente... Eu não sei se realmente forço as palavras difíceis a aparecerem em meus textos. Às vezes elas aparecem naturalmente, disso eu tenho certeza. Mas acho que não são todas as horas... tento substituir palavras, eu acho. E enquanto penso sempre saem vários "eu acho". Deve ser por isso que passo assim pela vida, tão indeciso. Eu sou sempre "eu acho".

Às vezes adoro simplesmente não saber. Em outras horas detesto. Como odeio ter a ciência de que não escrevo lá muito bem. Mas por que eu teria que fazer isso bem? Essa história de escrever começou como um passatempo. Digamos que não tenha sido uma coisa natural, um intuito repentino, ou coisa assim. Simplesmente eu via as pessoas escreverem e pensava: Por que eu não podia fazer isso, também? Eu devia ter uns catorze anos. Pensava ser um garoto brilhante na época - não tinha consciência de que pensava isso, é claro. Enfim, nesse meio tempo - tenho quase dezoito anos agora - acredito que amadureci bastante. O que não é grande coisa... Mas é a vida.

Leio as coisas que escrevia naquela época e vejo refletido o modo como eu pensava através das tolices que punha no papel. Aliás, punha no computador, mais especificamente no meu blog da época. Nunca fui tão fã de papel. É por causa da praticidade que o computador fornece, já que escrevo devagar e digito rápido, quase no ritmo dos pensamentos. Acabo de perceber que meu problema literário (sobre escrever mal e essas coisas) é apenas reflexo da precaridade dos meus pensamentos. Não sou nem um pouco visionário. Não penso nada demais e, na verdade, me surpreendo com coisas que leio e que outras pessoas qualificariam como bobas... Me apaixono por metáforas que outros acham pobres... Posso estar sendo dramático, mas preciso repensar minhas idéias.

O que eu realmente preciso é continuar escrevendo bobeiras sobre mim e apenas para mim mesmo. É delicioso, se é que se pode dizer isso. Quero viver mais e melhor. Quero experimentar, quero me encantar com a beleza das pessoas e da vida, em certos momentos. Quero não só quebrar a cara com as mulheres... Quero me sentir alguém interessante... E não passar pela vida indiferente, um "tanto-faz" na vida de (quase) todos.

Quero ser mais musical. Ser uma canção triste e bela, com aquela felicidade inesperada no fim. Não sei se já ouvi uma canção assim, preciso realmente checar isso. Se pudesse fazer uma canção nesse momento - se tivesse jeito para música, instrumentos, rimas, ritmos, ou canto... - faria assim... Teria um violão chorando, um homem singrando o ar com sua voz, rompendo a insensatez dos meus ouvidos e fazendo meu coração acelerar, ou quem sabe uma mulher a cantar suavemente, como se sussurrasse em meu ouvido declarações de amor, poesias. Estou numa espécie de sonho musical, em transe confessional, numa tarde turva de tantos desejos. Mas eu vivo a noite. A noite triste de ruídos das profundezas, a noite que não tem a alegria sonhada, que queria ao menos emprestar de outros seres, os felizes.

Não sei o porquê, mas não consigo estar bem na maior parte do tempo e viver sem reclamar e perder horas com coisas que não importam. Me sinto uma espécie de trava - já disse isso outra vez... Nunca me prolonguei sobre o sentido de ser uma trava, mas talvez a metáfora seja suficientemente óbvia. Não tanto para mim, que sou como Maga. A cada minuto, enquanto leio "O Jogo da Amarelinha", me identifico com a ignorância da personagem. Ela é verdadeiramente encantadora. É como eu disse a uma amiga, eu devo me encantar fácil demais. Não importa, sei que o mundo desordenado de Maga é fascinante. Já Horácio é tão repugnante às vezes e tão admiravelmente humano e inteligente em outras, que fico oscilando sobre o que penso em relação a ele.

Não importa. Sei que me sinto uma espécie de imbecil lendo a obra-prima de Cortázar. Talvez a maioria das pessoas que leiam esse livro também se sintam um pouco assim. Deve ser por isso que o autor criou Maga, que, entre tantos amigos cultíssimos do Clube da Serpente, sente-se burra - na verdade, fazem que ela se sinta assim, pela estupidez com que respondem suas indagações sobre coisas que, para eles, são óbvias. Maga, a cada sensação de ignorância e grosseria que recebe, tem uma "sensação violeta". É uma boa descrição da sensação... é genial.

É aí que eu me sinto tão incapaz de escrever decentemente. Não tenho um pingo de poesia. Pareço não saber ser humano, nem saber viver... Não tenho "a manha"... "Manha"... fico pensando se isso é só coisa da minha cabeça, se alguém realmente "nasce com a manha" ou se isso se cria, se adquire durante a vida. Por que será que eu, então, não adquiri?

Permaneço nessa angústia. Na cadência angustiante do ronco de meu pai e do falatório televisivo, fico perdido nesses escritos que parecem transbordar amargura. Eu não devia ser tão amargo, tão pessimista com relação à minha existência.

E se falo essas coisas sobre mim, não há outro motivo senão a existência de múltiplas realidades. Eu recuso esse egocentrismo de achar que o real é algo realmente palpável, é o mesmo para todos. Não é. O que torna as coisas reais é a forma como as vemos. Essa forma faz toda a diferença. Tanto há múltiplas realidades que boa parte do que disse aqui já foi refutado por pessoas que conheço. Que importa, não é?