sábado, 26 de janeiro de 2008

"Coisas de amor" ou "Ah, de novo, não!"

Certas horas eu me odeio por escrever essas coisas... coisas de amor. Quando tudo que queria era ler esse tipo de texto, só que feito para mim. Não é fácil... Uma vez recebi um poema muito bonito, confesso que me surpreendeu... Foi incrível. Mesmo que eu não seja o maior fã dessa forma de se expressar, muito menos de poesia amadora, é muito bom receber demonstrações de afeto... poéticas. Eu fiz essa, que nunca foi entregue (nem será), em dezembro passado.

Seus olhos miúdos, vívidos, com brilho de criança com doce nas mãos.
Boca pequena e avermelhada. Uma estrela subindo ao espaço, intocável. Irretorquível.

Inefável sensatez. Não me atraia mais, é o que lhe peço.

Não me procure. Ou me procure... já não sei.

Já não me importa o que é melhor para mim... é incontrolável e insustentável a situação.

Ah, o amor... para os que falam essa frase com aquele tom imbecil, a morte.

Clichês pueris... sutilezas juvenis. Ah, a dor... e o drama.

Irracional e muito humano."


Eu sei: só tenho escrito besteiras de amor. Tentarei outro tema, se conseguir... ou não.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Um ode ao acaso


Cravei meus dentes no rio de suas lágrimas... tão cálida era sua face, tanto sofrimento eu senti...

E de todo corpo sofri, como uma avalanche de lamurias no deserto, sentindo cada gota expandir-se em mim, tomando parte de minha alma pálida de dor.

Doía forte. Segurei a respiração, sentindo o arfar de seu peito em mim, nos meus pensamentos... por que ela não pode me amar?

Isso está incluso nas coisas ininteligíveis. Na inconsciência que Pessoa apregoa, por meio de ser alter-ego Bernardo Soares:

A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar, pararia."


Nunca aprendi a ser amado por quem eu quero, parece que isso é um tipo de dom especial, ou coisa do acaso. Ah, culpemos o acaso de tudo, até dos nossos excessos... O problema do amor é que ele deveria se passar sempre entre duas pessoas, e não em uma e outra não... o problema é que, como dizem (não se enganem, não sou muito chegado a repetir o senso comum, mas... abro exceções), cada cabeça é um mundo. Infelizmente...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Real love, Beatles


All my little plans and schemes,
Lost like some forgotten dreams.
Seems that all I really was doing
Was waiting for you
.

Just like little girls and boys
Playing with their little toys,
Seems like all they really were doing
Was waiting for love.

Don't need to be alone.
No need to be alone.

It's real love.
It's real.
Yes, it's real love.
It's real.

From this moment on I know
Exactly where my life will go.
Seems that all I really was doing
Was waiting for love
.

Don't need to be afraid.
No need to be afraid.

It's real love.
It's real.
Yes, it's real love.
It's real.

Thought I'd been in love before,
But in my heart I wanted more.
Seems like all I really was doing
Was waiting for you
.

Don't need to be alone.
Don't need to be alone.

It's real love.
It's real.
It's real love.
It's real.
Yes, it's real love.
It's real.
It's real love.
It's real."

A versão da música por Regina Spektor é tão linda quanto a dos Beatles. Vejam.

Já perceberam que a maioria das músicas em inglês que tem uma poesia incrível ficam bregas se traduzidas? Perdem a emoção por completo... É o que ocorre com essa (veja tradução). Ainda bem que já sei um pouco da língua a ponto de não depender de traduções toscas como no passado dependia.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

A voz ou Anoitecendo

Ao ouvir sua voz, me desfiz em pedaços.

Lembrei-me, então, do insólito anoitecer visto no sábado, da identificação tenaz que tive com aquele verdadeiro morrer. Algo morria dentro de mim e eu nem sabia o quê, observando o azul intenso desvanecer em negro, reverberando a lua minguante, bela e angustiosamente minúscula.

É verdade que não era algo que desfalecia no meu eu, mas nascia uma tristeza de tons azulados e inflexíveis, o azul que se esvaía do céu para sempre, resvalando-se em meu espírito. Quem dera o espírito se fosse, levando consigo essa paixão desatinada. Justo eu, que já amei, sim, mas jamais me apaixonei com tamanha intempestividade... Ou estaria experimentando novamente o que é amar e sofrer por essa razão, com maior maturidade do que em tempos impensáveis?

De alguma forma, pareço reviver meus quatorze anos de puro amor, sofrimento e resignação, imerso na inexperiência.

Por hora, sorri lembrando que isso é natural... que se padece assim, e o mundo não finda por isso. Mas na alma algo calou, um nó enlaçou-se, enfim, como não se consumir em pensamentos sobre o sentir? e não se comiserar de uma espécie de sina que teima em pairar sobre mim - embora eu não acredite nela.

É verdade. As possibilidades de outrora se fecharam em um círculo infinito de que não vejo libertação. Se é pessimismo, não sei.

A certeza que grita de mim é de que me agarrarei a esse amor com todo empenho e zelo. Verei o crepúsculo da temeridade riscar os céus e ofuscar-se no imperativo maior que é entregar-se ao viver desensaiado e, por isso, tingido de uma cor que não é outra senão a da felicidade.

O morrer do dia perdeu-se em algum caminho ignoto e instalou-se em meu coração. Continua vivo ali, continua... intocável e implacável, revivendo a cada ouvir da voz, a voz que inexplicavelmente me domina e aturde temporariamente meus sentidos...

Mas o sol pode vir. Só isso põe tudo em tons rubros, de uma alegria dissonante da realidade. Nessa hora é que todo o senso de seriedade se decompõe. O que era já não é mais e tudo se desfaz para ser refeito, a cada dia, em todos os momentos, em uma efemeridade desvairada.

Entardecer no Solar do Unhão, Salvador, Bahia.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Sinceramente...

Nunca sabemos quando somos sinceros. Talvez nunca o sejamos. E mesmo que sejamos sinceros hoje, amanhã podemos sê-lo por coisa contrária."

Fernando Pessoa em "Livro do Desassossego".

O blog estará diferente, juro.

Então, serei pleno no uso e desuso das palavras que sei, com uma sinceridade pungente justamente na hora que escreverei... porque depois, é como disse o poeta. Curioso.

O instante. Giramundo. O efêmero.