domingo, 23 de dezembro de 2007

Ho-ho-ho!


Aí está o que eu chamo de anti-cartão de natal. Não é vermelho, não tem o estilo do natal, não tem um gordo papai-noel saltando às vistas, nem mesmo qualquer referência à festa.

Mas palpita nele um sentimento. E vários bons desejos, não somente para o natal...

Ah... Confesso que a fuga do óbvio, por vezes, é impossível e até louvável que seja assim. Por outro lado, ver o vazio de festas de fim de ano e todos os presentes que, para a maioria, é "coisa de praxe" - sem sentimento, sem emoção qualquer - e não querer nada diferente é ruim.

Gostei do meu cartão. Queria receber alguns tão sinceros quanto. E também feitos pela própria pessoa. Pra que "comprar emoções"?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Insustentável

A cadência, nesse blog, é, de fato, decadência.
Ou melhor: não há cadência alguma. Mesmo porque quase nunca escrevo aqui.

Blog de poemas não vinga, já que não sou nenhum poeta. O problema é que não tenho visto qualquer sentido nesse blog "vingar". Não ligo mesmo. Meus projetos nunca são bem sucedidos e esse é um que não quero que seja.

Se publico aqui as coisas que produzo, é claro que gosto que pessoas leiam e opinem. Mas sempre há aqueles que vão olhar... mesmo que demorem. E, bem verdade - não muda nada o fato de elas lerem ou deixarem de ler.

O vazio aqui no peito prossegue. A alma continua líquida, a escorrer pelos poros...

E então essa sensação de que há chance de tudo dar certo em minha vida daqui para frente assusta. É pelo costume das coisas fugirem de como foram planejadas. Parece que a vida tem me fornecido certas ferramentas para que eu alcance boa parte do que quero.

Isso, de certo modo, também aflige.
Porque pareço não aproveitar as oportunidades como poderia. O que, obviamente, é comum...
Sei que meus dramas são imbecis, mas isso não lhes invalida a existência.
Eles parecem persistir aqui, naquela fluidez interior e na doçura que meu mundo poderia ter... e não tem.

Pois a doçura dos seus olhos é inalcançável.
Então o peso desse corpo aumenta, a boca amarga, as horas passam perdidas...

Ah, a vida veloz e insensata.

Sua voz voluptuosa rememora em meus ouvidos. O que isso importa para o Grande Moinho de ilusões? O que diria o mundo sobre minhas lágrimas de sentimentos? Nada.

Assim minha alma se esvai. Mas "não me distancio muito de mim (...) E dessa insustentável leveza de ser/ Eu gosto mesmo é de vida real" (Bossa Nostra, Nação Zumbi)

domingo, 2 de dezembro de 2007

Pela vidraça

Sou círculo fechado
De dor e medo
suor desenganado
sortidos segredos

A mordida voraz
aquela velha paz
feito fogo de palha
incendeia mordaz

Depressiando o fim
amarga sina
tem dó de mim
não me deixa assim

Porque eu só faço rima ruim
faço poema como brincadeira
sem noção nem me empederno
saem palavras sem eira nem beira

Rimas ruins se tornam belas
a gramática vai pro puteiro
dançar nos queijos
velar o brasileiro

Que não acende a chama
o fogo da vergonha
tímido e mal-nascido
imóvel desvelado

O que fazer, meu Deus
haja oxigênio no peito
e ferro nas veias
- quem tem?

Resta dançar
a valsa dos quebrados
e dos desvalidos
imobilizados

A vida bela e prodigiosa
em sua profusão de cores e graça
palpita imensa, mas desgostosa
a olhar pela vidraça



Obrigado, Manuel Bandeira.
Aliás, desculpe-me por essa degeneração de versos... hehe.