sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O gosto amargo das palavras caladas
O cheiro forte e moribundo das memórias
Tudo é pó, fétido feito carne podre

Agora já não dá mais para refazer
E não tinha como ser diferente
Aquele cheiro, aquele sabor
Eram o prazer de existir

Seu sorriso despertava em mim
as mais bonitas sensações
Eu queria ser melhor
e estar à altura dela
Daquela alegria de viver
Os risos furtivos durante as manhãs
O encanto dos beijos que nunca provei

Eu de nada sirvo
Não sei dizer coisas instigantes
não sei
nem mesmo ser humano
nem me aguento em mim
nas chatices intermináveis
e monólogos infrutíferos
sobre a necessidade de não ser eu
o eu patético de que me envergonho
e às vezes me orgulho à toa

Porque o que fica - e marca
é tudo inconcluso, irrealizado
Os amores são prantos mal-chorados
A melodia seca e agridoce
indecisa

A melodia que não é mais que a sua voz
Que fica na memória
a memória que hoje apodrece
e sente, sofre...

Ah... a dificuldade de esquecer.