segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Um blog só morre quando outro começa, pra mim. Em todo caso, assim como quando o Do Asfalto morreu eu já tinha esse blog aqui há meses, há algum tempo tenho um tumblr, o /marcapasso.
É claro que, como não escrevi até agora nada relevante lá, "mantive" isso aqui, quer dizer, não avisei a ninguém que acabou. Pois agora acabou. "Adeusão".

Vá ver besteiras no tumblr:


Abraço,
F.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Como uma continuação da divagação que fiz aqui há alguns dias, tomo como exemplo de tudo que mais detesto nesse blog a seguinte frase:

"...provavelmente nunca uma passagem confessional foi escrita sem que nela estivesse refletido o orgulho do escritor em ter aberto mão de seu orgulho" (Seymour, uma apresentação, J.D. Salinger)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

"I'm beginning to feel that no author has the right to tear his characters apart if he doesn't know how, or feel that he knows how (poor sucker) to put them together again. I'm tired - my God, so tired - of leaving them all broken on the page with just 'The End' written underneath."

J. D. Salinger, 1943

Isso e muito mais você encontra no Dead Caulfields, site sobre Salinger.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Não, eu não faço mais ideia do que escrever aqui. Não é que eu ache que não saiba mais o que escrever. Talvez eu pudesse escrever mais uma dezena de fragmentos tediosos como os últimos (aliás, quantos textos mais aqui não foram tediosos?). E então, por que simplesmente não dá mais?

Vamos encarar os fatos. Nem eu tenho interesse pelas coisas que costumava dizer aqui. O problema de tudo não é que a vida não seja interessante. Para mim ela é bastante. Acontece que literatura é alguma coisa muito diferente disto. Em certo sentido, é vida, também, principalmente porque enquanto houver alguém lendo, não se pode dizer que ela está morta. Mas eu não falo desse sentido aqui. Para mim é mais do que claro que, por mais que se possa sentir que certa música ou certo livro parecem, de fato, pulsar... não, não, quem dá vida ao livro é alguém. A vida de alguém parece, assim, preencher a literatura de sentidos. Mas não é bem isso que ocorre por aqui.

Primeiro porque minha intenção de fazer literatura sempre foi frustrada, por mais que se diga que diários também possam ser considerados literatura. Ok, isso tudo é um diário. Estou aqui conjeturando mais uma vez e não estou contando coisa alguma de importante - faço apenas um esclarecimento (a quem? Não faz sentido, não é? Que satisfação eu devo dar a alguém?). O que quero dizer, afinal de contas, é que simplesmente cansei de ser autobiográfico. Nas raras vezes em que aparece algo mentiroso por aqui, chego até a ter medo de que seja interpretado literalmente. Por vezes desisto de publicar. Ou apago (e aí nem adianta, quem tem Google Reader vai ler de qualquer forma). Talvez eu devesse ter medo de escrever coisas tão supostamente (mesmo porque eu posso ter uma visão completamente equivocada dos acontecimentos) verdadeiras (e seria a verdade um equívoco sempre? Uma aproximação de uma coisa que na verdade é outra que nunca alcançaremos?)? Mas o fato é que a lógica está completamente invertida.

Se a ideia algum dia foi escrever ficção com base no real, isso nunca, no entanto, foi feito aqui. Não vou dizer que não sei enfeitar uma coisa ou outra. Em essência, porém, tudo me parece muito real. E desprezível. Eu não sei mentir. Se, por um lado, há gente que não suporta a mentira, eu acredito que sem ela nada de bom existiria. Tudo cheira a fraude - mas certas fraudes parecem mais reais que a própria realidade. (Apenas uma pausa para acrescentar que certamente o meu orientador deliraria com essa parte sobre a mentira, mas não, eu não vou citar Lacan - e eu já citei, mas esqueçam disso).

Pode não fazer muito sentido para você que lê esse espaço há alguns anos (alô? alguém além dos meus amigos fez isto?), mas há como resumir a coisa toda: a frustração que compartilho é quanto a minha completa incapacidade de fazer ficção. Diante disso, deveria eu me calar para sempre? Excluir tudo que já escrevi? Simplesmente fingir que eu nunca quis escrever nada que prestasse literariamente, ou que nunca levei isto a sério?

O que se faz com as frustrações? Seria isso que faz a vida tão diferente de literatura? Não, você bem poderá argumentar - literatura também frustra. Eu já me frustrei por um número de vezes considerável. No fim das contas, você poderia dizer, literatura continua fazendo parte da vida. Mas, eu digo, não está vivo, está?

Vivos somos nós e isso, sinceramente, já me é muito natural. Eu concordo que viver seja difícil - eu sei bem disso, na verdade, só não posso concordar com essa ideia completamente absurda de que viver seja uma arte. Ou, aliás, que a arte seja, sei lá, alguma coisa superior. Você poderá argumentar que já leu alguns romances que considera absolutamente superiores, que teriam sido escritos por gênios, pessoas com uma sensibilidade fora de sério, e coisas do tipo. Mas, bem, os escritores são pessoas como nós. O que nos separa deles, afinal? Digo, dos bons. O que constitui esse suposto abismo entre esses tipos e nós, os homens comuns? Como se pode dizer que tal escritor não teria sido um homem absolutamente comum, também?

Se eu divagar tanto, nunca chegarei a lugar algum. Voltando ao cerne da questão - ou a um dos cernes que considero mais importantes: eu nunca desmereceria a vida. Honestamente, eu prefiro pensar que a matéria-prima de tudo é vida, mesmo da literatura. Mas ela está morta. Seus melhores autores não estão mais vivos, para mim - e não interpretem isso como uma obsessão por clássicos, coisa que nunca tive.
Mesmo refletindo sobre os bons autores vivos que já li, creio que não seria capaz de inventar qualquer coisa que eles tenham feito. Sabe, tem um filme, "A Lula e a baleia", em que um garoto toca "Hey You", do Pink Floyd, no show de talentos da escola (ou algo semelhante a isto) e ganha o prêmio. Ao ser descoberta a fraude, o garoto passa a ir ao psicólogo, que o questiona sobre o motivo dele ter mentido a autoria de algo que não era dele. O menino diz que se sentia capaz de escrever a música (e talvez eu concorde, porque nem a acho tão boa assim, ou tão trabalhosa, embora eu, sinceramente, não tenho talento para tal) e o fato de ele não ter escrito, de fato, era uma mera formalidade. Sabe, eu nunca me senti assim. Nunca me senti capaz de ter escrito nada de bom nem de ruim. Nunca me senti capaz de escrever ficção, de inventar alguém, nem que fosse baseado em mim mesmo.... ou de uma sacada sarcástica que fosse. Também o estilo confessional de escrita tem sido particularmente cansativo. Talvez por isso eu nunca mais tenha escrito poesia - e também porque eu não gosto nem de escrever nem de ler poesia (com algumas exceções, é claro). Eu não acho, portanto, que a noção de autoria seja tão desimportante quanto os velhinhos acadêmicos de Letras queiram nos fazer crer. Mas isso nem importa muito.

Algumas coisas que eu leio parece terem sido escritas diretamente para mim. Mas não, não foram. Eu não me sinto dessa maneira com a vida de ninguém. Nem no sentido amoroso da ideia, pois eu acho que amar não tem a ver com essa identificação e a sensação de posse que ela possa provocar. Talvez isso tudo seja fruto do ceticismo que posso ter aderido, mas, de qualquer modo... a singularidade da literatura continua me parecendo essa. Por mais que você tenha certeza de que os livros não foram feitos para você, essa sensação continua valendo mais. Tudo bem que alguém pode ter essa sensação quanto a outra pessoa, mas sinceramente, quanto tempo dura isto? O livro é mais permanente. Só se vai com a caduquice, ou a morte... ou caso uma pessoa totalmente diferente se instale no seu cérebro, algo que eu costumo acreditar ser improvável (mesmo em sentido metafórico).

Não é que eu não acredite no amor. Simplesmente não acho prudente considerá-lo um fator permanente na vida de qualquer um... Porém esse papo todo, agora percebo, talvez tenha mais a ver com a minha frustração literária do que eu queira admitir. Talvez a frustração literária parta da própria vida, já que literatura, afinal de contas, não é vida - somente é preenchida por esta... (uma ideia que começa a me parecer absurda, mas não consigo pensar em nada melhor agora) Não é que eu não ache que tudo vai muito bem, nos eixos, etc etc... Mas não vai bem no sentido que eu quero. Talvez nunca vá - daí a frustração. Então o que eu deveria esperar? Que soubesse escrevesse literatura? Não, tudo bem, sei que falo coisas sem sentido. Há quem escreva - e eu admiro - sem nunca ter vivido algo que valha tanto a pena (como definir o que vale a pena? esquecerqualquerrigor,esquecer)... Então qual seria o meu problema?

Teria tentado pouco? Não teria talento? Deveria tentar outro ramo, no qual sentisse que tudo faz mais sentido ou vale mais a pena? Eu continuo sem saber o que fazer por aqui. O que fazer com essa vontade de escrever algo que seja minimamente importante, pelo menos para mim. De qualquer modo, é melhor divagar do que não fazê-lo e a imobilidade em que me vejo não me ajuda muito. Então, meus amigos, tenham alguma paciência com tanto lamento. Simplesmente... ignorem, sei lá. Façam o que bem entendam - taí uma coisa que não se deve recomendar, é implícita.

E ficamos muito bem nos implícitos, eu acho. E acho que estou mais confuso do que quando abri essa página para escrever e talvez eu encontre um caminho por isso. Mas não se pode divagar para sempre, de modo que acho que a conclusão fica por fazer. Faça-a você.

domingo, 4 de abril de 2010

- Fantasmas, pequenos espíritos ou duendes? Não acredito em nada disso. E o senhor, sr. Foxx?

- Não, senhor.

- Parece acreditar. Com toda essa baboseira metafísica.

- Não quis dizer fantasmas e espíritos, professor.

- Nada é real, a não ser a experiência. O que pode ser tocado, saboreado ou provado cientificamente. Nunca substitua fatos qualitativos com propriedades similares por substâncias fixas. Sr. Snell, como esses são os últimos momentos antes das férias, agradeceria se ficasse acordado até tocar o sinal.

- Desculpe, professor. Notei que, para o senhor, a metafísica não merece ser levada a sério.

- Como afirmei claramente em meu último trabalho, os filósofos metafísicos são fracos demais para aceitar o mundo como é. Suas teorias sobre os 'mistérios da vida' nada mais são que projeções de sua própria inquietação interior. Afora este mundo, não existem realidades.

- Mas isso deixa muitas necessidades básicas do homem por satisfazer

- Sinto muito. Eu não criei o cosmos. Eu simplesmente o explico.

(Woody Allen. Sonhos eróticos de uma noite de verão)

sábado, 3 de abril de 2010

Exceção da regra

A cada vez que vejo casais felizes nas ruas, sinto que roubaram alguma coisa de mim. Qualquer coisa que eu podia estar vivendo, qualquer meio romance que seja. É difícil assumir isso, porque a primeira coisa que pensam provavelmente seria "infeliz" (isso porque, acho, eu pensaria assim). Também, eu nunca disse que era feliz, nem que queria ser. É bem por aí. E, no fim das contas, estamos bem assim: mal. E se estamos bem, é porque esse mal de que falo não provoca infelicidade. No máximo um desgosto temporário, umas horas amargas, às cinzas, no escuro. E quando não há escuro, uma dor nos olhos, como se eles queimassem com o sol. Como se aquela luz fosse uma alegria inoportuna, lembrando que o mundo é mais, muito mais do que tudo isso, e que, não, ninguém roubou nada de você - as nuvens estão apenas se rearrumando, num movimento eterno e inútil (e tantas coisas inúteis é que são belas...), as coisas estão sempre tomando seu devido lugar, para tomar seu devido lugar de novo e de novo e se há alguém roubando alguma coisa por aqui sou eu e sempre eu.

P.S.: completei um fragmento incompleto, dessa vez. Acho que não estou de todo preguiçoso.

Mais fragmentos incompletos

Incompletude eterna, acho que esse vai ser o novo nome desse blog. Caso é que eu não sei mais concluir as coisas que começo. Ou pelo menos acho que não estão completas. Vai ver até estão. Outras (como isso que eu vou colocar aqui) estão obviamente fragmentadas, repetitivas e a verdade é que daria muito trabalho para que ficassem do jeito que eu queria (como se eu soubesse exatamente que jeito é esse...) e creio que a preguiça tem me vencido. Não sei por quanto tempo isso vai durar e, também, o que importa? Quem se importa? Só eu, né? Então deixo mais fragmentos aí.

"Novos Baianos é um dia de muito sol na casa de Clara. A gente estava tirando fotos, eu e um amigo, não exatamente por diversão. Não interessa quem mais saía naquelas fotos, fazendo coisas que, para o meu trabalho parecia bom, mas para mim era ruim: eu só tinha olhos para Clara.

Ela



Dia desses eu estava relembrando um projeto antigo, que partiu do meu gosto por música pop, de escrever sobre a forma como algumas músicas ficam marcadas por certas situações, de um modo um pouco literário, livre e autobiográfico (eu só sei ser autobiográfico). É uma coisa muito diferente de escrever uma resenha, mas talvez seja até mais importante que uma resenha, caso se consiga demonstrar como aquelas músicas poderiam ser importantes para outros e fazê-los sentir algo. De certo modo pareço estar enganado, porque eu narro o que vivi e é presumível que ninguém vá ver a música da mesma forma que eu, então talvez tudo isso seja em vão - e as resenhas sirvam muito mais. Mas não estou muito interessado em servir, nesse caso. Muito menos em escrever alguma coisa como os MojoBooks, um conto para o álbum ou canção x, que seriam trilha sonora, no fim das contas. Talvez porque eu não saiba fazer isso e pense que, para fazê-lo, seria preciso ter uma escrita um pouco mais fluida e pode parecer óbvio, mas... musical? E não penso ter nada disso.

O certo é que tudo isso me faz lembrar que o Acabou Chorare, do Novos Baianos, é um dia de muito sol na casa de Clara, tirando fotografias, rindo e, no fim de tudo, cansando. Mas, acima de tudo, é uma paixão em tons vibrantes, instalando-se em meu coração como um amanhecer, inegável, irrefutável.

(...)

Quando relembro aqueles dias, sinto saudades do que senti. Saudades de rever aquele sol mover-se, dançar (a menina, enfim, dança - não para mim, mas dança)"